Faz cinco anos que nada aconteceu
Eu deixei de ser sua,
você, de ser meu
Nunca mais nos vimos
ou nos falamos,
onde antes havia luz,
depois virou breu...
E não é culpa minha,
nem é problema seu.
sábado, 29 de janeiro de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
Abandono
Como um palhaço de luto,
você vive me dizendo adeus
Eu
vivo
esperando
como as flores que caem da árvore
e enfeitam o chão.
domingo, 16 de janeiro de 2011
era não era
Não era pra ser assim,
não era pra eu estar sozinha
e fazer nada dos meus dias,
era pra você esperar por mim
Não era pra ser só sombras,
era pr'eu enxergar a luz do sol
e brilhar com suas estrelas
Era você o meu farol
Agora eu sou repetitiva,
Falo só em nostalgia, melancolia
e outros clichês com ou sem rima,
porque estou perdida, à deriva.
Se eu era música,
você era meu sustenido.
Mas agora todo canto
não passa de ruído.
Era pra você estar no meu mundo,
da minha palavra ser o adjunto.
Não era pra ter tanta lágrima,
o plano era mesmo ficarmos juntos
só quero me derreter nos seus braços
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Personagem
Sou uma personagem fictícia perdida no mundo real.
Alguma coisa deu errada na hora da minha concepção: era pra eu viver dentro de um livro, um filme, uma canção, um quadro... Qualquer lugar do mundo das idéias.
Alguma coisa deu errada na hora da minha concepção: era pra eu viver dentro de um livro, um filme, uma canção, um quadro... Qualquer lugar do mundo das idéias.
Mas, sei lá, ou faltou algum ingrediente mágico ou a minha passagem extraviou.
E eu vim para aqui, em um lugar ordinário, perdida entre contas pra pagar e falta de dinheiro, com problemas tão mundanos quanto os das pessoas de verdade.
É estranho não pertencer ao lugar onde vivo.
Há uma sensação de vazio impossível de se preencher, porque o que falta não vende em loja nenhuma, nem sob encomenda.
Faltam luzes, cores, sons, rimas.
Falta o extraordinário e todos os seus sinônimos.
Uma pessoa abstrata não se dá bem com provas, afazeres, hora marcada, burocracia...
E eu viveria bem só de poesia, romances, música, tintas, sonhos...
Não é que eu tenha alma de artista, ou dom, ou qualquer coisa assim.
Eu não sou criador, sou criatura.
Uma personagem criada não sei por quem, que perdeu o roteiro e veio parar no mundo errado.
Condenada a viver sem encantamento, presa entre a consciência de se saber inapta para o mundo real e a necessidade de se adaptar a ele...
(2007)
--------------------------------------
Estava procurando um diálogo que quero publicar há mais de ano, ou um texto de fragmentos de poesias da Fernanda Young que prometi publicar em 2007... mas não achei nenhum dos dois. Encontrei, no entanto, vários outrosque talvez eu publique depois, da época em que eu morava em Niterói, sem internet, mas com computador. Ah, que saudades.
Este aqui, apesar de antigo, ainda é a minha cara.
domingo, 9 de janeiro de 2011
suicídio
- Naquela época eu não estava muito bem, estava ocupado querendo me matar...
- Você?! Tentando suicídio? Por quê?- Foi uma questão filosófica: estava tentando me desconstruir.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
sua . sim . sou
sou eu
Sua única certeza,
sua esperança,
as canções de amor não ouvidas,
seu refúgio nas tempestades
Eu sou sua beleza,
seu desejo,
sua constância,
o sal nas suas feridas,
as juras há muito esquecidas,
sua rima,
seu enredo,
suas saudades
Sou em você a sutileza,
os exageros
e os entremeios
todo o brilho e os contrastes
sou eu
os seus sorrisos, a sua lembrança
a vozinha da sua consciência,
sua própria divindade
(pessoal e intransferível)
Também sou sua kriptonita,
seu golinho de cerveja,
sua maior fraqueza,
em seu olhar, a insegurança,
toda a dualidade
Eu sou a ponta do torturante band-aid
no seu calcanhar
e a melodia que nunca para de tocar
É por mim que seus olhos se abrem,
sou eu sua pureza,
seu sonho de criança,
o final feliz do seu conto de fadas,
a sua eternidade
Eu sou a pipa
e você,
e você,
minha linha.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Bilhete
Até que enfim você voltou!
Não aguentava mais de tanta saudade, então fui dormir um pouquinho, só pra sonhar com você...
Mas agora que chegou, por favor, não hesite e me acorde logo!
Você é a única realidade melhor do que qualquer sonho.
-------------------
[Um dia eu fui tirar um cochilo à tarde eantes de pegar no sono, pensei num bilhete assim. Aí eu levantei e anotei num papel. E, claro, perdi o papel. Quer dizer, eu achei que tinha anotado em lugar e, agora que fui procurar pra postar (já que era o texto que eu tinha em mente qdo disse que voltaria hj), percebi que me enganei. Ups.
Isso tudo é só uma desculpa, pq essa é uma versão feita agora, com a base que me lembro. Vou continuar procurando o original, eu só quis cumprir a promessa e postar alguma coisa hj...]
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Cuida de mim
O show tem que continuar.
Então me maquio,
visto o figurino, os adereços,
decoro as falas.
Subo no palco todos os dias de manhã
Interpreto o meu papel,
mais ou menos bem,
e também outros três ou quatro,
encomendados, herdados,
inacabados.
Recebo alguns aplausos,
críticas, elogios, vaias,
recomendações...
Todo dia é a mesma coisa,
e todo dia é diferente,
tanto faz,
dá no mesmo,
porque toda noite,
quando tenho que preparar os textos do dia seguinte,
tudo que eu quero
é parar,
me enroscar no cantinho
fora da luz de cena
e esperar o derradeiro fechar das cortinas.
------------------------------------
Oi.
Eis que trocentos meses (tá, eu sei que tem mais de um ano) depois, eu ressurjo das cinzas.
Nossa, já faz tanto tempo que eu estava até com uma certa vergonha de voltar. Mas superei isso (quer dizer, deixei pra lá). Tive uma ideia essa noite, que não era bem assim, mas aí abri o blog e fui escrevendo qualquer coisa, que, dizem, é melhor do que nada. Amanhã eu volto. Mesmo.
Então me maquio,
visto o figurino, os adereços,
decoro as falas.
Subo no palco todos os dias de manhã
Interpreto o meu papel,
mais ou menos bem,
e também outros três ou quatro,
encomendados, herdados,
inacabados.
Recebo alguns aplausos,
críticas, elogios, vaias,
recomendações...
Todo dia é a mesma coisa,
e todo dia é diferente,
tanto faz,
dá no mesmo,
porque toda noite,
quando tenho que preparar os textos do dia seguinte,
tudo que eu quero
é parar,
me enroscar no cantinho
fora da luz de cena
e esperar o derradeiro fechar das cortinas.
------------------------------------
Oi.
Eis que trocentos meses (tá, eu sei que tem mais de um ano) depois, eu ressurjo das cinzas.
Nossa, já faz tanto tempo que eu estava até com uma certa vergonha de voltar. Mas superei isso (quer dizer, deixei pra lá). Tive uma ideia essa noite, que não era bem assim, mas aí abri o blog e fui escrevendo qualquer coisa, que, dizem, é melhor do que nada. Amanhã eu volto. Mesmo.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Dica
Então, tem esse site, de decoração que eu adoro. Os textos são gostosos de se ler, as imagens são lindas e as dicas, ótimas. Já fiz listras no meu quarto, estou (aos poucos) enchendo uma parede de quadros e anotando mentalmente tudo o que quero renovar quando finalmente estiver de férias.
Já tem um ano (ou quase), que eu descobri o site e me viciei, tem sempre um monte de coisinhas que dá vontade de ter/fazer. E a @vpontes, dona do site, é um doce.
Não bastasse, esse mês ela está sorteando três almofadas LINDAS do www.mambembe.com.br/loja . O Mercado Mambembe tem cada coisa mais linda que a outra. Se alguém quiser me dar um presente, já sabe onde procurar (Qq coisa da linha alice, um colar ninho ou coisas com ícone twitter da linha Geek serão mais do que bem vindas!).
Mudando de assunto, tenho dois textos querendo vir pra cá. Talvez na semana que vem, qdo acabam minhas provas. Bem, na verdade, são duas partes do mesmo texto, ou melhor, da mesma história. Quando eles vierem, explico, vai fazer muito mais sentido. Ou não...
Ah, o link da promoção tá aqui, e da página principal do de(coeur)ração, aqui.
Já tem um ano (ou quase), que eu descobri o site e me viciei, tem sempre um monte de coisinhas que dá vontade de ter/fazer. E a @vpontes, dona do site, é um doce.
Não bastasse, esse mês ela está sorteando três almofadas LINDAS do www.mambembe.com.br/loja . O Mercado Mambembe tem cada coisa mais linda que a outra. Se alguém quiser me dar um presente, já sabe onde procurar (Qq coisa da linha alice, um colar ninho ou coisas com ícone twitter da linha Geek serão mais do que bem vindas!).
Mudando de assunto, tenho dois textos querendo vir pra cá. Talvez na semana que vem, qdo acabam minhas provas. Bem, na verdade, são duas partes do mesmo texto, ou melhor, da mesma história. Quando eles vierem, explico, vai fazer muito mais sentido. Ou não...
Ah, o link da promoção tá aqui, e da página principal do de(coeur)ração, aqui.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
e o mundo insiste em não fazer sentido
- É incrível. Eu nunca tive você de verdade, e mesmo assim vivo te perdendo. Eu continuo aqui, esperando, e você sempre vai embora...
- Mas eu sempre volto.
- Eu me pergunto o porquê disso. Qual o sentido em voltar, se você nunca fica?
- Ora, se eu não for embora, não dá pra voltar, né! (ela faz uma careta) E não faça essa cara. Eu sempre volto.
- Cada vez menos.
- Cada vez menos?
- É. Cada vez que volta, é menos você. Eu te perco aos pouquinhos… Qualquer dia desses, nem mesmo vou te reconhecer.
- Você está exagerada hoje.
- O que você quer dizer com “hoje”?
(os dois riem)
- Não se preocupe, eu nunca vou embora de verdade, você devia saber. Eu nem mesmo sei como ir embora de verdade. Você é a minha única constante, o caminho que eu conheço sem depender dos meus sentidos.
- Droga. Você é sempre cheio de respostas.
- Não quero que você tenha dúvidas. Insegurança não combina contigo.
- Quanto tempo vai ser desta vez? Mais um ano? Dois? Três? Eu estou ficando velha. E cansada.
- Essa resposta eu não tenho. Sobre o tempo, quer dizer. Quanto ao cansaço, tente guaraná em pó, dizem que funciona.
- Engraçadinho. É melhor você ir logo, de nada adianta prolongar este momento, nunca é suficiente mesmo… Quantas horas cabem nesta meia-noite? Parece que nem meia…
- Tá vendo?! Você queria saber, é por isso. É exatamente por isso que eu sempre volto. Condenado, desde o primeiro momento, pela luz dos seus olhos. E sem a menor intenção de ser salvo…
(os dois se olham em silêncio por um longo momento, até que ele abre a boca pra dizer alguma coisa, mas ela interrompe)
- Se você disser que vai, mas deixa seu coração comigo, eu juro que vomito.
(ele sorri, beija o rosto dela e sai)
(ela, em silêncio, ainda com um esboço de sorriso nos lábios, deixa uma tímida lágrima rolar)
- Mas eu sempre volto.
- Eu me pergunto o porquê disso. Qual o sentido em voltar, se você nunca fica?
- Ora, se eu não for embora, não dá pra voltar, né! (ela faz uma careta) E não faça essa cara. Eu sempre volto.
- Cada vez menos.
- Cada vez menos?
- É. Cada vez que volta, é menos você. Eu te perco aos pouquinhos… Qualquer dia desses, nem mesmo vou te reconhecer.
- Você está exagerada hoje.
- O que você quer dizer com “hoje”?
(os dois riem)
- Não se preocupe, eu nunca vou embora de verdade, você devia saber. Eu nem mesmo sei como ir embora de verdade. Você é a minha única constante, o caminho que eu conheço sem depender dos meus sentidos.
- Droga. Você é sempre cheio de respostas.
- Não quero que você tenha dúvidas. Insegurança não combina contigo.
- Quanto tempo vai ser desta vez? Mais um ano? Dois? Três? Eu estou ficando velha. E cansada.
- Essa resposta eu não tenho. Sobre o tempo, quer dizer. Quanto ao cansaço, tente guaraná em pó, dizem que funciona.
- Engraçadinho. É melhor você ir logo, de nada adianta prolongar este momento, nunca é suficiente mesmo… Quantas horas cabem nesta meia-noite? Parece que nem meia…
- Tá vendo?! Você queria saber, é por isso. É exatamente por isso que eu sempre volto. Condenado, desde o primeiro momento, pela luz dos seus olhos. E sem a menor intenção de ser salvo…
(os dois se olham em silêncio por um longo momento, até que ele abre a boca pra dizer alguma coisa, mas ela interrompe)
- Se você disser que vai, mas deixa seu coração comigo, eu juro que vomito.
(ele sorri, beija o rosto dela e sai)
(ela, em silêncio, ainda com um esboço de sorriso nos lábios, deixa uma tímida lágrima rolar)
Eu, cada vez que vi você chegar
Me fazer sorrir e me deixar
Decidido eu disse: nunca mais
Mas novamente estúpido provei
Desse doce amargo, quando eu sei
Cada volta sua o que me faz
Vi todo o meu orgulho em sua mão
Deslizar, se espatifar no chão
Eu vi o meu amor tratado assim
Mas basta agora o que você me fez
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais pra mim
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais
Eu, toda vez que vi você voltar
Eu pensei que fosse pra ficar
E mais uma vez falei que sim
Mas já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
Se você me perguntar se ainda é seu
Todo meu amor, eu sei que eu
Certamente vou dizer que sim
Mas já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais
(Do Fundo do Meu Coração - Roberto e Erasmo Carlos)
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
... Mas ... (meme)
Você sabe
e eu sei,
mas alguém tem que dizer em voz alta
É uma lástima que essa tarefa caiba a mim,
mas, meu bem,
não dá pra continuar assim.
O silêncio entre nós forjou a distância,
distância que se transformou em abismo
só dá pra recuar
ou saltar em queda livre
e antes que eu aprenda a odiá-lo
e continue a chamá-lo de "amor" por costume,
é melhor parar por aqui.
Talvez um dia a gente se reencontre
e redescubra aquela velha conexão ...
mas, por ora,
prefiro preservar as boas lembranças
e trilhar novos caminhos
Eu sei, você acha que eu vou me arrepender...
É possível,
bastante provável,
que sem o ver eu passe a enxergá-lo melhor,
sinta falta do que hoje me irrita,
te ouça em cada verso de cada canção de amor
e,
nas comédias românticas,
assista aos nossos risos e beijos, nostálgica
E então,
qualquer noite dessas,
depois de umas taças de vinho,
sentirei uma vontade irresistível de ligar pra você
e, como acontece com toda vontade irresistível,
vou perder
e vou ligar
Ao ver meu número em seu telefone,
você vai me ignorar,
mas eu não vou desistir
vou ligar de novo,
e de novo,
e mais uma vez
e outra
e novamente...
E você, ao invés de colocar no vibracall
ou desligar o celular,
vai me atender
e gritar comigo
vai me mandar parar de ficar ligando
"não foi você quem quis terminar?!
Então, agora me esqueça, me deixe em paz,
vai trilhar seus novos caminhos"...
Talvez ainda me xingue de nomes indecorosos
e me mande para tudo quanto é lugar
"como você teve a coragem de terminar comigo por email?
Depois de tanto tempo!
Eu não merecia pelo menos um telefonema?"
E, quando você cansar de gritar,
entre lágrimas e soluços,
eu e minha ironia vamos responder
"... mas eu estou ligando..."
E você vai desligar o telefone na minha cara,
e eu vou ligar de novo,
e de novo,
e outra vez...
até que vou aparecer na porta da sua casa,
cantando a música dos elefantes que incomodam muita gente,
até que você não resista mais e venha me ver
E vamos chorar,
reclamar,
trocar acusações,
amarguras
e exageros
até derretermos nos braços um do outro,
onde descobriremos ser o nosso lugar...
Ou então
talvez
eu encontre um novo amor,
você me esqueça de vez
e eu muito mal me lembre de seu nome
para ligar ao rosto na fotografia...
Ah, sei lá!
A única certeza é de que o tempo está errado,
estamos cedo demais
ou muito atrasados,
perdidos em um relacionamento amarrotado,
estancado,
moribundo...
Pode ser que depois seja diferente,
mas agora,
chove,
é madrugada
e hora de dizer adeus,
como se fosse a nossa última palavra...
---------------------------------------------------
Este post foi em resposta ao meme que me foi indicado pela xuxu
Ele foi proposto por Daniele Vieira (que eu não conheço, confesso!), para que os indicados fizessem uma carta como se rompesse com um certo alguém.
A ideia foi inspirada na exposição Cuide de Você, da francesa Sophie Calle, que convidou 104 mulheres para interpretarem um e-mail de seu ex-namorado que gostaria de romper o relacionamento de ambos.
As regras do meme são as seguintes:
1.: Escrever uma carta como se você estivesse rompendo com o seu (sua) namorado(a);
2.: Escrever estas regras e uma breve explicação do que é o meme (isso aqui);
3.: Indicar cinco pessoas.
Meus indicados são: Karina, Coral, Ti, Maíra e Nina
É isso.
Ah, brigada, Xuxu, vc me inspirou a voltar pra cá! Eu demorei, mas consegui escrever!
Bjinhos
e eu sei,
mas alguém tem que dizer em voz alta
É uma lástima que essa tarefa caiba a mim,
mas, meu bem,
não dá pra continuar assim.
O silêncio entre nós forjou a distância,
distância que se transformou em abismo
só dá pra recuar
ou saltar em queda livre
e antes que eu aprenda a odiá-lo
e continue a chamá-lo de "amor" por costume,
é melhor parar por aqui.
Talvez um dia a gente se reencontre
e redescubra aquela velha conexão ...
mas, por ora,
prefiro preservar as boas lembranças
e trilhar novos caminhos
Eu sei, você acha que eu vou me arrepender...
É possível,
bastante provável,
que sem o ver eu passe a enxergá-lo melhor,
sinta falta do que hoje me irrita,
te ouça em cada verso de cada canção de amor
e,
nas comédias românticas,
assista aos nossos risos e beijos, nostálgica
E então,
qualquer noite dessas,
depois de umas taças de vinho,
sentirei uma vontade irresistível de ligar pra você
e, como acontece com toda vontade irresistível,
vou perder
e vou ligar
Ao ver meu número em seu telefone,
você vai me ignorar,
mas eu não vou desistir
vou ligar de novo,
e de novo,
e mais uma vez
e outra
e novamente...
E você, ao invés de colocar no vibracall
ou desligar o celular,
vai me atender
e gritar comigo
vai me mandar parar de ficar ligando
"não foi você quem quis terminar?!
Então, agora me esqueça, me deixe em paz,
vai trilhar seus novos caminhos"...
Talvez ainda me xingue de nomes indecorosos
e me mande para tudo quanto é lugar
"como você teve a coragem de terminar comigo por email?
Depois de tanto tempo!
Eu não merecia pelo menos um telefonema?"
E, quando você cansar de gritar,
entre lágrimas e soluços,
eu e minha ironia vamos responder
"... mas eu estou ligando..."
E você vai desligar o telefone na minha cara,
e eu vou ligar de novo,
e de novo,
e outra vez...
até que vou aparecer na porta da sua casa,
cantando a música dos elefantes que incomodam muita gente,
até que você não resista mais e venha me ver
E vamos chorar,
reclamar,
trocar acusações,
amarguras
e exageros
até derretermos nos braços um do outro,
onde descobriremos ser o nosso lugar...
Ou então
talvez
eu encontre um novo amor,
você me esqueça de vez
e eu muito mal me lembre de seu nome
para ligar ao rosto na fotografia...
Ah, sei lá!
A única certeza é de que o tempo está errado,
estamos cedo demais
ou muito atrasados,
perdidos em um relacionamento amarrotado,
estancado,
moribundo...
Pode ser que depois seja diferente,
mas agora,
chove,
é madrugada
e hora de dizer adeus,
como se fosse a nossa última palavra...
---------------------------------------------------
Este post foi em resposta ao meme que me foi indicado pela xuxu
Ele foi proposto por Daniele Vieira (que eu não conheço, confesso!), para que os indicados fizessem uma carta como se rompesse com um certo alguém.
A ideia foi inspirada na exposição Cuide de Você, da francesa Sophie Calle, que convidou 104 mulheres para interpretarem um e-mail de seu ex-namorado que gostaria de romper o relacionamento de ambos.
As regras do meme são as seguintes:
1.: Escrever uma carta como se você estivesse rompendo com o seu (sua) namorado(a);
2.: Escrever estas regras e uma breve explicação do que é o meme (isso aqui);
3.: Indicar cinco pessoas.
Meus indicados são: Karina, Coral, Ti, Maíra e Nina
É isso.
Ah, brigada, Xuxu, vc me inspirou a voltar pra cá! Eu demorei, mas consegui escrever!
Bjinhos
domingo, 14 de junho de 2009
ruínas
ruídos calam os ouvidos
o que ressoa é silêncio,
uma ausência ressentida...
resta este sal na boca:
saudade.
os olhos repelem imagens,
enxergam borrões e farrapos
cercada de rostos desconhecidos,
sonhos rotos, perdidos.
trapos humanos, retardos
a imaginação é o último recurso
crio relacionamentos surreais
recolho os restos da memória,
reminiscências,
que coleciono num livro de recortes
rezo para que um deus de ferro
restaure a honra e a sanidade
de seus filhos desamparados, feridos,
pobres desafortunados
e sem fé
num canto solene,
rogo que também repare meus erros
e minimize os reveses do meu caminho
meu suicídio diário
me reinvento a cada manhã
rompendo os vícios
multiplicando os risos
assumindo os riscos
me arrumando
- ou arruinando -
de va gar . . .
----------------------------------------------
Não sei qual é a desse, nunca o terminei, nem sei como deveria (ou SE vale a pena me esforçar)...
Ah, meus agradecimentos sinceros e emocionados aos que ainda me leem. Minha frágil auto-estima se refestela com os comentáros!
(refestelar-se?! de onde raios surgiu isso?! eu hein, menina esquisita!)
o que ressoa é silêncio,
uma ausência ressentida...
resta este sal na boca:
saudade.
os olhos repelem imagens,
enxergam borrões e farrapos
cercada de rostos desconhecidos,
sonhos rotos, perdidos.
trapos humanos, retardos
a imaginação é o último recurso
crio relacionamentos surreais
recolho os restos da memória,
reminiscências,
que coleciono num livro de recortes
rezo para que um deus de ferro
restaure a honra e a sanidade
de seus filhos desamparados, feridos,
pobres desafortunados
e sem fé
num canto solene,
rogo que também repare meus erros
e minimize os reveses do meu caminho
meu suicídio diário
me reinvento a cada manhã
rompendo os vícios
multiplicando os risos
assumindo os riscos
me arrumando
- ou arruinando -
de va gar . . .
----------------------------------------------
Não sei qual é a desse, nunca o terminei, nem sei como deveria (ou SE vale a pena me esforçar)...
Ah, meus agradecimentos sinceros e emocionados aos que ainda me leem. Minha frágil auto-estima se refestela com os comentáros!
(refestelar-se?! de onde raios surgiu isso?! eu hein, menina esquisita!)
Auto-estima se refestelando:
Regras:1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro” que você acabou de ganhar!
2- Poste o link do blog que te indicou.
3- Indique 10 blogs de sua preferência.
4- Avise seus indicados.
5- Publique as regras.
6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.
7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com, juntamente com os 10 links dos blogs indicados para vericação.Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.
Regras:1ª Deve exibir o selinho em seu blog.
2ª Postar o link do blog que te indicou.
3ª Listar 05 desejos de consumo que a deixariam mais glamourosa.
4ª Indicar 10 amigas glamourosas e avisá-las que foram escolhidas.
Incrível, fantástico e extraordinário, eu ganhei dois selinhos. O primeiro, que estou desde fevereiro pra colocar aqui, que veio da Dri, que eu leio há tempos; o segundo, surpresa, da Carolina, que o acaso encontrou pra mim. Obrigada, meninas, adorei!
Agora, seguindo as regras meio "misturadamente", lá vai:
05 desejos de consumo, aleatoriamente:
* escrever e publicar um best-seller
* viver de renda
* encontrar o grande-amor-da-minha-vida, acreditar nisso e ser o grande-amor-da-vida dele
* ter um kindle ou um smart/i-phone ou afim que me permita ler no escuro
* viver uma vida digna de um livro (bom e feliz)
Os Blogs, tb em ordem aleatória:
http://rigoni.wordpress.com/
http://ladybugfallingstar.blogspot.com/
http://adri-elly.blogspot.com/
http://porondemeuspeshaodepisar.blogspot.com/
http://vilarejoparticular.blogspot.com/
http://pele-coral.blogspot.com/
http://poesiaresidual.blogspot.com/
http://provisorioeterno.blogspot.com/
http://texto-al.blogspot.com/
http://pensamentoepoesia.blogspot.com/
Como escolher 10 é mais difícil do que parece, cabe uma menção honrosa prum blog informativo e excelente:
http://fabiolascully.wordpress.com/
Ah, e esses aqui ficaram de fora, de castigo, pq os Safados escrevem muito raramente (mas eu ainda ADORO):
http://adstringencia.blogspot.com/
http://vivendonorio.blogspot.com/
quinta-feira, 7 de maio de 2009
chhhhhhhh
Chovia uma chuva chata,
insistente,
que nem cheiro de chuva tinha.
Sozinha, saudosa,
sentada num canto da sala vazia,
eu sonhava com o dia
em que voltaria a voar,
dando voltas como o vento,
viajando o mundo todo
num balão amarelo
cantando Beatles
e Barão Vermelho...
Esperando o céu dar a volta por cima,
enxugar as lágrimas
e parar de chorar o dia inteiro-
como se fosse uma menina,
saudosa, sozinha,
sem chapéu e sem sapatos
que, por viver com a cabeça nas nuvens,
por descuido ou por esquecimento,
perdeu a droga das chaves de casa.
-------------------------------------
Meus lapsos de inspiração não têm coincidido com a disponibilidade de tempo/computador/internet/lugar-pra-anotar. Não que os lapsos tenham sido muitos também. Não tenho lido meus blogs favoritos, muito mal vejo o twitter ou meu orkut. É que quando eu tenho tempo me livre, meio que me dou ao luxo de não fazer nada. "meio que" pq eu não exatamente me dou ao luxo, mas simplesmente não luto contra a vontade de fazer nada. Qdo eu tiver internet no estágio, pode ser que as coisas fiquem mais agitadinhas por aqui. Tenho uns três textos querendo ficar prontos. Quem sabe, né!?
insistente,
que nem cheiro de chuva tinha.
Sozinha, saudosa,
sentada num canto da sala vazia,
eu sonhava com o dia
em que voltaria a voar,
dando voltas como o vento,
viajando o mundo todo
num balão amarelo
cantando Beatles
e Barão Vermelho...
Esperando o céu dar a volta por cima,
enxugar as lágrimas
e parar de chorar o dia inteiro-
como se fosse uma menina,
saudosa, sozinha,
sem chapéu e sem sapatos
que, por viver com a cabeça nas nuvens,
por descuido ou por esquecimento,
perdeu a droga das chaves de casa.
-------------------------------------
Meus lapsos de inspiração não têm coincidido com a disponibilidade de tempo/computador/internet/lugar-pra-anotar. Não que os lapsos tenham sido muitos também. Não tenho lido meus blogs favoritos, muito mal vejo o twitter ou meu orkut. É que quando eu tenho tempo me livre, meio que me dou ao luxo de não fazer nada. "meio que" pq eu não exatamente me dou ao luxo, mas simplesmente não luto contra a vontade de fazer nada. Qdo eu tiver internet no estágio, pode ser que as coisas fiquem mais agitadinhas por aqui. Tenho uns três textos querendo ficar prontos. Quem sabe, né!?
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
água
em dias de tempestade
a correnteza muda o rumo do mar
leva a menina que caiu da canoa
e nunca aprendeu a nadar
ela quase se afoga,
perde o ar,
mas luta bravamente,
se debate, esperneia,
tenta gritar
e ele nem nota
está navegando por aí,
outros mares, outra rota
sendo o norte de outra bússola
sem tempo de olhar à volta
e perceber o desespero da menina,
quase dando cambalhota
perdida, sozinha,
só uma gota
evaporando...
---------------------------------
Achei isso perdido no computador. Não sei bem qual era a idéia na época, mas, com a falta de criatividade que me assola, melhor do que nada. (será?!)
- não é que eu seja relapsa, sou enrolada mesmo. tenho um monte de coisas pra fazer e meu tempo nunca é hábil. impressionante a capacidade que tenho de me perder pelo meu mundo. mas um dia eu me encontro. e me atualizo -
a correnteza muda o rumo do mar
leva a menina que caiu da canoa
e nunca aprendeu a nadar
ela quase se afoga,
perde o ar,
mas luta bravamente,
se debate, esperneia,
tenta gritar
e ele nem nota
está navegando por aí,
outros mares, outra rota
sendo o norte de outra bússola
sem tempo de olhar à volta
e perceber o desespero da menina,
quase dando cambalhota
perdida, sozinha,
só uma gota
evaporando...
---------------------------------
Achei isso perdido no computador. Não sei bem qual era a idéia na época, mas, com a falta de criatividade que me assola, melhor do que nada. (será?!)
- não é que eu seja relapsa, sou enrolada mesmo. tenho um monte de coisas pra fazer e meu tempo nunca é hábil. impressionante a capacidade que tenho de me perder pelo meu mundo. mas um dia eu me encontro. e me atualizo -
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Retrospectiva 2006
- Olá! Há quanto tempo...
- Pois é... comé que você está?
- Tô indo... e você?
- Estou bem, na mesma.
- "Na mesma"... Isso quer dizer que você está sempre bem?
- "bem" e "na mesma" usados na mesma frase indicam que a vida anda meio tediosa. Nada vai e nada vem; fica sempre na mesma. Como tenho muita noção de que as coisas poderiam ser bastante piores, digo que estou bem. É uma visão parcialmente otimista do tédio.
(Pq fazer retrospectiva do ano que acabou há menos de um mês seria mole demais)
----------------------------------------
Então, aquela história de manter promessas de ano novo não parece estar indo muito bem... mas é que eu demoro pra pegar no tranco. Mais cedo ou mais tarde a negligência me abandona.
Ah, o Jamie Cullum, do post passado: é um jazzista-pop, ou coisa que o valha. Não entendendo de rótulos para músicos, mas também, o que vale é o conteúdo. Quem não conhece, acho que vale a pena colocar o nomezinho dele no youtube e descobri-lo. Provavelmente você já ouviu "Mind Trick" por aí (mesmo pq, alguns sem-coração fizeram uma versão sofrível em português...). É uma dessas músicas que te anima só pela melodia, música alegre, sabe?! Tem cara de fim-de-semana ensolarado viajando com amigos. Pelo menos é o que me vem à cabeça. O Jamie repaginou vários sucessos de antigamente, tipo "I only have eyes for you", "What a difference a day makes", "I get a kick out of you", "In the wee small hours of the morning", "Singing in the rain"... E tb tem músicas originais. Pessoalmente, gosto de todas, me apaixonei a primeira ouvida. Se estiver a toa, experimente, acho que valerá a pena.
- Pois é... comé que você está?
- Tô indo... e você?
- Estou bem, na mesma.
- "Na mesma"... Isso quer dizer que você está sempre bem?
- "bem" e "na mesma" usados na mesma frase indicam que a vida anda meio tediosa. Nada vai e nada vem; fica sempre na mesma. Como tenho muita noção de que as coisas poderiam ser bastante piores, digo que estou bem. É uma visão parcialmente otimista do tédio.
(Pq fazer retrospectiva do ano que acabou há menos de um mês seria mole demais)
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Então, aquela história de manter promessas de ano novo não parece estar indo muito bem... mas é que eu demoro pra pegar no tranco. Mais cedo ou mais tarde a negligência me abandona.
Ah, o Jamie Cullum, do post passado: é um jazzista-pop, ou coisa que o valha. Não entendendo de rótulos para músicos, mas também, o que vale é o conteúdo. Quem não conhece, acho que vale a pena colocar o nomezinho dele no youtube e descobri-lo. Provavelmente você já ouviu "Mind Trick" por aí (mesmo pq, alguns sem-coração fizeram uma versão sofrível em português...). É uma dessas músicas que te anima só pela melodia, música alegre, sabe?! Tem cara de fim-de-semana ensolarado viajando com amigos. Pelo menos é o que me vem à cabeça. O Jamie repaginou vários sucessos de antigamente, tipo "I only have eyes for you", "What a difference a day makes", "I get a kick out of you", "In the wee small hours of the morning", "Singing in the rain"... E tb tem músicas originais. Pessoalmente, gosto de todas, me apaixonei a primeira ouvida. Se estiver a toa, experimente, acho que valerá a pena.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Feliz Ano Novo!

(Ano novo, cheio de pensamentos positivos. Porque diferente da física, positividade atrai positividade. Sorria para o mundo que ele sorri pra você. Quântica explica, lei da atração, o segredo. Pois é, eu sei disso tudo. O cinismo é que ainda não entendeu. Safado. Mas tá em tempo. Feliz ano novo!)
((Ah, uma resolução de ano novo: voltar a escrever. Outra: Keep new year's resolutions))
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Insônia
Já passa das três da madrugada, o relógio digital na mesinha cabeceira não deixa que ela se engane. Mas o tempo se confunde, naquele estado quase hipnótico em que horas se passam num piscar de olhos e minutos duram semanas sob um olhar mais atento. Os pensamentos se sobrepõem como roupas empilhadas no armário. Pensa num lugar pra onde deseja viajar e, de repente, lá está. Um centro urbano, cheio de desconhecidos, cada um cuidando de sua vida, assim como ela. Vestida com uma blusa linda que viu há poucos dias em uma vitrine, sua calça jeans favorita e aquelas botas maravilhosas que viu num comercial e decidiu comprar assim que encontrasse. Mas que bolsa é essa? Não se lembra de tê-la visto, certamente não a possui. Mas parece fácil de fazer. Boa idéia, decide comprar tecido e costurar uma bolsa exatamente igual àquela, assim que se levantar. Mas o que está fazendo ali mesmo? Ah, sim, foi encontrar-se com alguém. Onde ele está? Passa os olhos pela multidão, não reconhece ninguém. Espera! Lá no fim, onde a visão mal alcança… quase reconhece, mas ele se move rápido. Ela se vira para acompanhar e tudo fica escuro. Abre os olhos, os números vermelhos do relógio denunciam que se passaram vinte minutos. Mas para onde foram? Não estava dormindo nem nada, apenas pensando. Aquela bolsa, como era mesmo? Ah, nunca vai encontrar um tecido com aquela estampa. Mais uma idéia brilhante que não resiste à luz da realidade, como a maioria delas, aliás. Fixa o olhar no relógio, que parece se envergonhar. Os números só mudam quando ela não está olhando, já ouviu falar nesse tipo de coisa. É uma teoria de que cada coisa existe em seus inúmeros estados possíveis, ao mesmo tempo, quando ninguém está olhando. Mas quando olham, a coisa tem que escolher um estado qualquer pra se apresentar. Acreditava nisso quando era criança, muito antes de ouvir falar nessa teoria, coisa de física quântica. Quando jogava dados, por exemplo, cobria-os antes que alguém pudesse ver, inclusive ela mesma. Tinha certeza de que, se ela pensasse bem forte enquanto ninguém sabia o resultado, os números mudariam para aqueles que ela queria. Mas logo que pensava nisso, sentia-se culpada: os deuses mudariam os números só porque ela tinha descoberto como aquilo funcionava. E quando demonstrava a consciência de que os deuses mudariam tudo, também sabia que eles mudariam tudo de novo só pra confundi-la, pra que ela não soubesse que eles sabiam que ela sabiam. E quando ela chegava a essa conclusão, mudava tudo de novo, sempre neste círculo vicioso cuja única chance de quebra era parar de pensar nisso. Mas o pensamento tem vida própria, continua baixinho, incansável, mesmo que a gente canse dele. Pra evitar tanto trabalho, parou de cobrir os dados - Medida que não foi tão eficaz quanto supunha: se os números não correspondessem à sua vontade, imaginava como teria sido se os tivesse encobertado e caía no mesmo dilema. Até que parou de jogar dados. Era mais saudável, mentalmente falando. Mas até conseguir se livrar desses pensamentos, a lógica foi aplicada em muitas coisas. Na escola, antes de olhar a nota de uma prova, por exemplo, ficava segurando-a, calada, concentrada, desejando que a nota tivesse sido boa. Adiava a vista ao resultado até o último momento, como se alguma coisa pudesse mudar. Continuou com isso até que contou sua lógica para o irmão mais velho, que facilmente a refutou: de nada adiantava que ela adiasse e “pensasse bem forte” se a professora que tinha corrigido a prova já sabia da nota. Era lógico, mas a menina que ainda acreditava em mágica demorou um pouco pra se convencer totalmente. Voltou a olhar para o relógio, dois minutos se passaram. Não é possível! Todo esse resgate de memória, todo esse pensamento lógico, só valeu dois minutos? O tempo não é justo. Mas, pensando bem, o pensamento não foi tão lógico assim, afinal, o relógio deveria se comportar normalmente enquanto ela o observa, não é? Cada minuto deveria durar exatos sessenta segundos. E será que duravam? Será que o problema não estava no relógio, mas na sua própria percepção? Resolveu contar os segundos. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, dez, vinte, cento e oitenta e quatro, os dados, a bolsa… hã? Quando deu por si, já eram quase cinco horas. Os primeiros raios de luz apareciam lá fora, ela decidiu parar de se torturar. Não conseguia dormir, não fazia mal, não ia trabalhar, não tinha nada marcado, poderia perfeitamente dormir à tarde se batesse o sono. Era melhor se levantar logo e deixar a cama livre para a madrugada se deitar. E levantou. Caminhou até a sala e sentou-se no sofá, decidindo o que faria a seguir. Fechou os olhos um instantinho, só para visualizar melhor as possibilidades. Podia comer alguma coisa, tomar um banho, ler um livro, ver um filme, comer, banho… e adormeceu sentada no sofá.
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é só um trecho. Deve fazer parte de um texto muuuuito maior, se um dia eu conseguir terminá-lo...
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é só um trecho. Deve fazer parte de um texto muuuuito maior, se um dia eu conseguir terminá-lo...
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Carrego sentimentos alheios
As lágrimas são de um filme
tão triste, mas tão triste, que não adiantou a mensagem de esperança no final
ficou o sal na lembrança, a perda,
e a repentina vontade de chorar
sem explicação
Falando em vontade,
essa que às vezes me dá,
de dançar enlouquecida, sem jeito e sem parar,
é toda daquela melodia de notas agudas, harmoniosa, alegre como riso de criança,
que grudou na cabeça feito chiclete
e não sai de jeito nenhum porque eu não sei assoviar
Já todo esse amor que eu sinto,
desmedido e sem explicação,
que é maior que tudo no mundo (o universo dos amores)
tão feliz e correspondido,
não passa de ficção
Vem daquele livro que eu leio há anos e nunca termino
(pra ser sincera, nem pretendo terminar!)…
é que quando tô chegando no final, dá uma saudade!…
aí eu volto, releio, sinto mais um pouquinho,
e me apaixono tudo de novo, como na primeira vez
Sabe o meu lado sombrio? veio de uma pintura
aquela que é quase poesia, quase desespero
uma amargura sem alento
com cores sérias, frias e escuras
que não formam nada definido,
nem mesmo esse sentimento…
E essa solidão,
...Essa solidão…
Ah, não, essa é minha mesmo.
tão triste, mas tão triste, que não adiantou a mensagem de esperança no final
ficou o sal na lembrança, a perda,
e a repentina vontade de chorar
sem explicação
Falando em vontade,
essa que às vezes me dá,
de dançar enlouquecida, sem jeito e sem parar,
é toda daquela melodia de notas agudas, harmoniosa, alegre como riso de criança,
que grudou na cabeça feito chiclete
e não sai de jeito nenhum porque eu não sei assoviar
Já todo esse amor que eu sinto,
desmedido e sem explicação,
que é maior que tudo no mundo (o universo dos amores)
tão feliz e correspondido,
não passa de ficção
Vem daquele livro que eu leio há anos e nunca termino
(pra ser sincera, nem pretendo terminar!)…
é que quando tô chegando no final, dá uma saudade!…
aí eu volto, releio, sinto mais um pouquinho,
e me apaixono tudo de novo, como na primeira vez
Sabe o meu lado sombrio? veio de uma pintura
aquela que é quase poesia, quase desespero
uma amargura sem alento
com cores sérias, frias e escuras
que não formam nada definido,
nem mesmo esse sentimento…
E essa solidão,
...Essa solidão…
Ah, não, essa é minha mesmo.
domingo, 12 de outubro de 2008
sábado, 11 de outubro de 2008
Algodão-doce
Acordou pensando em algodão-doce. Daqueles que vendiam em shoppings, parques e festas de rua quando era pequeno, mas que a mãe nunca comprava. “Isso é açúcar puro! Só serve pra engordar e estragar os dentes!”. Aí, ao invés do doce, ganhava rodelas de cenoura no jantar. “É saudável, tem betacaroteno e ainda é adocicada! Isso sim faz bem pra criança”. Como se ele se importasse com o betacaroteno! Mal conseguia pronunciar a palavra! Hoje em dia, se recusa terminantemente a comer cenoura. “É comida de cavalo e de coelho. Não sou nenhum dos dois”. Quando tinha aniversário de algum amiguinho, a coisa mudava de figura. “Pode comer tudo o que quiser. Pega uns pra levar pra casa. Não se recusa nada que é de graça!”. Obediente, não recusava nenhum doce e ainda catava quantos conseguisse e carregava pra casa, onde reinava a antiga regra da moderação: só podia comer um ou dois por dia, dependendo do tamanho. E só depois das refeições, sem exceções.
A primeira vez que se deparou com uma máquina de algodão-doce foi em uma dessas festas, ele devia ter pouco mais de três anos. Seus olhinhos infantis ficaram maravilhados: como aqueles pequeninos cristais (que só foi descobrir ser um tipo de açúcar anos mais tarde) jogados no furo de uma bacia giratória se transformavam em teias coloridas? Em sua cabecinha fantástica, aquilo sim era mágica, sem enganação! Nada de moedas saindo de orelhas, de panos-coloridos-sem-fim, de bolinhas que se dividem e multiplicam… nem coelhos que nascem de cartolas o interessavam! Era criança, mas não era bobo: sabia que tudo aquilo não passava de truque. Já tinha visto o avô fazer um desses e ele não era nenhum mágico! Bastava a moça pegar o palito para sua inquieta atenção se fixar na dança entre mão, palito e teias coloridas. Receber aquele algodão cor-de-rosa era como ganhar um prêmio. Um troféu quase maior do que o próprio menino, mas tão leve! Deliciou-se por alguns minutos até o doce acabar e então, satisfeito e melado, descobriu qual era sua missão de vida: desvendar todos os mistérios do algodão-doce.
Algumas festas depois, percebeu que o universo queria lhe pregar uma peça. Não havia ali a máquina mágica, os doces já estavam prontos, em várias cores, espetados em uma… árvore! Ora, mas não podia ser! Sabe, os adultos têm sempre a impressão de que as crianças são bobas e fáceis de se enganar. Tolice! Elas se deixam enganar de vez em quando, só pros adultos ficarem felizes. Mas ele não ia se deixar enganar, sabia muito bem que algodão-doce não dava em árvore, já tinha visto de onde nasciam: da bacia giratória com o furo no meio. Enquanto todos os outros deviam estar acreditando que aquilo era mesmo uma árvore de algodão-doce, ele, do alto de sua meninice, sentiu-se o mais esperto dos espertos.
Os doces da árvore eram um pouco menores que os da bacia e já vinham ensacados, mas eram igualmente deliciosos. Achou legal isso de já virem ensacados porque assim dava pra levar pra casa. E foi o que fez. Daquela festa, não levou bolo, bola ou brigadeiro, só algodões-doces, tantos quanto foi capaz de segurar. Quatro (com algum esforço e muito cuidado para não se amassarem), que durariam quatro dias, pois a mãe o deixava comer um depois do almoço, mas não depois da janta, “muito açúcar de noite não deixa criança dormir!”. Esperou ansiosamente pelo almoço do dia seguinte, mas quando pegou o doce, percebeu que estava meio murcho. Tirou o saco cautelosamente e, ao tirar um pedaço, achou a textura um pouco diferente. No contato com a saliva, notou que o algodão derretia como se fosse calda de pudim. Hummm. Ficou um pouco intrigado, mas logo a mãe o chamou e ele foi brincar.
À noite, depois da janta, achou melhor ver como estavam os outros algodões-doces. Escalou a cadeira e sentou-se. Os saquinhos estavam ali, deitados sobre a mesa, ainda mais murchos do que de manhã. Imediatamente lembrou-se das bolas que trouxeram uma vez de outra festa: chegaram cheinhas e redondas, mas foram encolhendo, encolhendo, encolhendo… até que encolheram tanto que ele não podia mais vê-las! “Será que… não! O algodão doce é mágico, não vai sumir assim!” Mas a esperança durou poucos segundos, porque logo em seguida lembrou-se de outra bola, que ganhou em um parque. Ela era prateada, meio achatada e… voava! Seu pai disse que era uma bola mágica e só podia ser mesmo: ela nem tinha asas e sabia voar! Logo aprendeu que é mais fácil de perder uma coisa que voa do que qualquer outra, e por isso, a bola estava amarrada a uma linha que ficou segurando como se daquilo dependesse sua vida. Chegando em casa, amarrou a linha na cama, mas continuou segurando só pra ter certeza de que a bola não ia fugir. E ela não fugiu. Mas no dia seguinte, voava um pouco mais baixo. E ela foi caindo, caindo, progressivamente, até que um dia desapareceu, sem deixar pistas. Fugiu, morreu, coitada. Será que foi de tristeza por ficar presa? Dizem que a infância é a época mais importante da vida de uma pessoa, e deve ser mesmo. Além de não comer cenouras, desde que entendeu que as coisas morrem aprisionadas, nunca criou peixe ou pássaros, nem teve um relacionamento duradouro. Ah, mas isso é outra história. Voltemos àquela noite, sentado, na cozinha, vendo os algodões-doces murcharem… e pensando: como se liberta uma coisa que não voa? O mais esperto dos espertos abriu todos os sacos e comeu todos os doces de uma vez. Ao perceber o silêncio na casa, a mãe, indignada, apareceu na cozinha e encontrou o menino todo lambuzado, cercado de palitos e sacos rasgados. “João Pedro, o que você está fazendo? Por que comeu tudo de uma vez?”. “Eles iam fugir, mamãe”. Ele ainda tentou explicar sua lógica infantil pra se livrar do castigo, mas a mãe achou a cena tão engraçada que deixou pra lá.
Naquela noite, não conseguiu dormir direito. Dessa vez, não porque estivesse com a cabecinha a mil tentando desvendar o mistério, mas por causa da dor de barriga que o assombrou por toda a madrugada. Depois disso, ficou com um pé atrás com os doces, aquela dor de barriga só podia ser um castigo. Primeiro ele aprisiona um ser mágico em um saquinho e, ao invés de libertá-los e comê-los logo no dia da festa, deixou-os ali parados, sem função, tristes, sozinhos e abandonados. Ai, quando começaram a fugir, ele, em seu desespero, impediu. Não podia tê-los deixado presos, depois não adiantava mais remediar. Seria essa a lição? Ou será que tinha outra coisa que ele devia der feito? Felizmente sua cabecinha infantil não se perdia nesses devaneios, ainda não se interessava por lições de moral, especialmente essas lições sutis do dia-a-dia. Aos poucos, foi-se esquecendo do acontecido e arrumando novos interesses e descobertas. Voltou a comer o doce outras vezes durante a infância, mas nunca mais experimentou aquele fascínio inicial. E depois, conforme foi crescendo, algodão-doce foi virando artigo cada vez mais raro. Onde já se viu adolescente comendo algodão-doce?! Também não é coisa de adulto! Não vende em restaurante, nem em padaria ou em supermercado… A vida foi passando e ele foi se esquecendo da existência da nuvem cor-de-rosa no palito. Até aquela manhã.
Aos vinte e tantos anos, sem qualquer motivo aparente, João Pedro acordou pensando em algodão-doce. Não era nem vontade de comer, era outra coisa. O oposto da saudade, um tipo de felicidade que só se sente em reencontros. Mas que reencontro? Fazia anos que sequer via um algodão-doce! Também não tinha sonhado com isso. Quer dizer, não se lembrava bem de seu sonho, mas sabia que não tinha algodão-doce. Tinha uma pizza. Um filme. Era um cinema? Ou era um carro? Ah, sonhos são sempre confusos, só fazem sentido enquanto se sonha. Tinha uma árvore também. E seu cachorro, o Rony. E Ana, Ana também estava no sonho. Foi ela quem levou a pizza? Ah, quanta bobagem! João terminou o café e saiu para o trabalho.
Não pensou mais nisso durante o dia. Nem à tarde. Era sexta-feira, só o que interessava era que o dia terminasse logo e desse lugar ao fim de semana. A semana tinha sido cansativa, trabalhara muito e merecia um descanso. Tinha combinado de se encontrar com Ana, iam tomar um chope pra comemorar qualquer coisa. Ela era bonita, inteligente e divertida, sua companhia favorita para uma sexta à noite. Encontraram-se numa pizzaria. Se abraçaram, trocaram beijinhos. De repente ele percebeu que aquilo era amor: Ana cheirava a algodão-doce.
___________________________________
Falta revisar, mas tô com preguiça...
terça-feira, 15 de julho de 2008
Pedaços
Psiu!
Você ouviu esse barulho,
como um cristal se estilhaçando?
Agora não há mais norte,
nem sul, nem leste ou oeste.
Não há chão onde se equilibrar.
E como respirar?
meus pulmões tentam,
cada vez mais forte,
mas não conseguem:
não tem ar.
Acabaram-se as certezas,
todas elas.
No céu não há sol,
ou lua, nem estrelas.
Se antes o mundo era esquisito,
agora o caos perdeu a bússola.
Nem mais palavras,
não há.
Nada a dizer,
nada a ouvir.
Apenas um sentimento,
só um.
quase raiva,
quase tristeza...
É mágoa.
Já não era mais o mesmo,
mas nem importava.
Como mudou? nem percebi...
O que tínhamos se desfez:
Foram-se os laços,
foram-se os nós,
o Nós.
Agora eu; você
separados por ponto-e-vírgula,
cada um pro seu lado
(e ninguém ao meu)
A memória afetiva até tenta
fazer com que o tempo pare
como em fotografia
e conservar os elos, as rimas,
aquela nossa magia...
Mas nós não paramos no tempo
e quando a gente segue
e se perde,
perde-se
o que pensei ter tido a sorte de encontrar,
de construir,
de cuidar...
Tudo se despedaça.
E não há mais norte ou sul,
lua ou sol,
chão ou ar,
ou magia...
E não tem cola.
_____________________________
é uma idéia na qual vou trabalhar. postando só pra constar.
Beijinhos!
Você ouviu esse barulho,
como um cristal se estilhaçando?
Agora não há mais norte,
nem sul, nem leste ou oeste.
Não há chão onde se equilibrar.
E como respirar?
meus pulmões tentam,
cada vez mais forte,
mas não conseguem:
não tem ar.
Acabaram-se as certezas,
todas elas.
No céu não há sol,
ou lua, nem estrelas.
Se antes o mundo era esquisito,
agora o caos perdeu a bússola.
Nem mais palavras,
não há.
Nada a dizer,
nada a ouvir.
Apenas um sentimento,
só um.
quase raiva,
quase tristeza...
É mágoa.
Já não era mais o mesmo,
mas nem importava.
Como mudou? nem percebi...
O que tínhamos se desfez:
Foram-se os laços,
foram-se os nós,
o Nós.
Agora eu; você
separados por ponto-e-vírgula,
cada um pro seu lado
(e ninguém ao meu)
A memória afetiva até tenta
fazer com que o tempo pare
como em fotografia
e conservar os elos, as rimas,
aquela nossa magia...
Mas nós não paramos no tempo
e quando a gente segue
e se perde,
perde-se
o que pensei ter tido a sorte de encontrar,
de construir,
de cuidar...
Tudo se despedaça.
E não há mais norte ou sul,
lua ou sol,
chão ou ar,
ou magia...
E não tem cola.
_____________________________
é uma idéia na qual vou trabalhar. postando só pra constar.
Beijinhos!
sábado, 31 de maio de 2008
Parece
Parece que foi ontem
que comecei a te amar
no entanto,
já se passaram vários outonos
e primaveras e invernos e verões
Conheço os seus tiques, suas manias,
todos os defeitos da nossa relação
Como se fossem meus,
tiques, manias e defeitos,
e que na verdade o são.
Parece que foi ontem,
mas não.
Daqui a pouco vem outro sábado,
outro domingo, outra estação.
O tempo passa, as coisas mudam,
e você continua aqui,
neste meu coração.
Aqui.
Mudo, quietinho,
ajudando nas rimas fáceis
e afastando a solidão…
--------------------------------------
Esse texto tava aqui no computador há meses, esperando pra ver se eu o melhorava e postava. Já tinha me esquecido, econtrei-o por acaso, tanto acaso quanto um caderninho verde fluorescente pode sinalizar, e lembrei que devia até estar digitado, aguardando pacientemente por melhorias. E estava mesmo, o coitado. Só que não consegui pensar nas melhorias. Acho que falta uma rima lá no início e algo menos piegas do que "parece que foi ontem". Especialmente, ele merecia um título diferente. Essa coisa de o título ser igual ao primeiro verso é muito padrão-automático-do-word. Mas minhas mãos estão geladas e os dedinhos finos da criatividade parecem terem congelado junto. Se alguém pensar em algo melhor, agradeço. Agora chega, acho que estou tendo outra idéia. Bjins
que comecei a te amar
no entanto,
já se passaram vários outonos
e primaveras e invernos e verões
Conheço os seus tiques, suas manias,
todos os defeitos da nossa relação
Como se fossem meus,
tiques, manias e defeitos,
e que na verdade o são.
Parece que foi ontem,
mas não.
Daqui a pouco vem outro sábado,
outro domingo, outra estação.
O tempo passa, as coisas mudam,
e você continua aqui,
neste meu coração.
Aqui.
Mudo, quietinho,
ajudando nas rimas fáceis
e afastando a solidão…
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Esse texto tava aqui no computador há meses, esperando pra ver se eu o melhorava e postava. Já tinha me esquecido, econtrei-o por acaso, tanto acaso quanto um caderninho verde fluorescente pode sinalizar, e lembrei que devia até estar digitado, aguardando pacientemente por melhorias. E estava mesmo, o coitado. Só que não consegui pensar nas melhorias. Acho que falta uma rima lá no início e algo menos piegas do que "parece que foi ontem". Especialmente, ele merecia um título diferente. Essa coisa de o título ser igual ao primeiro verso é muito padrão-automático-do-word. Mas minhas mãos estão geladas e os dedinhos finos da criatividade parecem terem congelado junto. Se alguém pensar em algo melhor, agradeço. Agora chega, acho que estou tendo outra idéia. Bjins
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Blefe
Eu tento disfarçar
pra expurgar minha culpa,
mas a verdade,
verdade verdadeira,
é a seguinte:
Eu sou uma chata.
Uma chata cheia de manias
Irritante
Adoro desculpas do existir,
coleciono palavras,
mimetizo escritos,
sinto em melodias,
e gosto de lilás.
Aliás, é a minha cor
Todo mundo tem uma cor
(ou pelo menos deveria),
aquela da qual sentimos ciúmes
e que só se empresta a quem se ama
A minha é essa, lilás
É...
Sou mesmo uma chata,
não nego.
Mas
se você quiser
eu lhe empresto agora
todo o meu lilás,
sem nem pestanejar.
todinho.
Aceita?
------------------------------------------------------
Esse texto foi livremente inspirado em versos de uma poesia da Fernanda Youg, que estou com preguiça de transcrever (e não tem nome e nem número de página pra que eu possa citar). Daí, catei no google e o encontrei postado em um blog, o link é esse, pra quem quiser ver: Fernanda Young nas Teclas de um Computador. O blog, não sei de quem é, mas pareceu bom, apesar de largado desde 2009...
Dentro em breve vou publicar outro post cheio de versos da Young. É que acabei de ler o livro de poemas dela e estou impregnada pelas idéias (nesses casos o contágio é uma coisa boa). Pena que não posso me entregar ao teclado agora. Não agora. Mas daqui a pouco as palavras não me escapam, nem que elas tentem! Vou caçá-las, com unhas e dentes, sem possibilidade de escapatória! Mas daqui a pouco.... agora tenho que ir.
Beijos a tod@s que ainda têm coragem de passar por aqui!
pra expurgar minha culpa,
mas a verdade,
verdade verdadeira,
é a seguinte:
Eu sou uma chata.
Uma chata cheia de manias
Irritante
Adoro desculpas do existir,
coleciono palavras,
mimetizo escritos,
sinto em melodias,
e gosto de lilás.
Aliás, é a minha cor
Todo mundo tem uma cor
(ou pelo menos deveria),
aquela da qual sentimos ciúmes
e que só se empresta a quem se ama
A minha é essa, lilás
É...
Sou mesmo uma chata,
não nego.
Mas
se você quiser
eu lhe empresto agora
todo o meu lilás,
sem nem pestanejar.
todinho.
Aceita?
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Esse texto foi livremente inspirado em versos de uma poesia da Fernanda Youg, que estou com preguiça de transcrever (e não tem nome e nem número de página pra que eu possa citar). Daí, catei no google e o encontrei postado em um blog, o link é esse, pra quem quiser ver: Fernanda Young nas Teclas de um Computador. O blog, não sei de quem é, mas pareceu bom, apesar de largado desde 2009...
Dentro em breve vou publicar outro post cheio de versos da Young. É que acabei de ler o livro de poemas dela e estou impregnada pelas idéias (nesses casos o contágio é uma coisa boa). Pena que não posso me entregar ao teclado agora. Não agora. Mas daqui a pouco as palavras não me escapam, nem que elas tentem! Vou caçá-las, com unhas e dentes, sem possibilidade de escapatória! Mas daqui a pouco.... agora tenho que ir.
Beijos a tod@s que ainda têm coragem de passar por aqui!
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Manuscrito
Quando a saudade aperta
(sem dó ou piedade
como um temporal inescrupuloso
que cai inundando a cidade)
arrumo abrigo em tuas palavras
antigas
amigas
amantes
em teus escritos encontro proteção
e já não há vento,
relâmpago ou trovão
no teu ritmo, em tua melodia,
decifro teu universo particular
e apago qualquer gota de solidão
sei de cor cada verso
teu coração
decorado com tua caligrafia
No livro de achados e perdidos da vida
lá estás
letra a letra
comigo em toda rima
ao meu lado em cada linha
na de partida
na de chegada
e ao longo do caminho
e o que faço com tanta nostalgia?
Cada lágrima agridoce
verte uma poesia
sem atenção à rima
à métrica e à razão
O que inspiro
não é ar
O que me inspira
é sua alma
(sem dó ou piedade
como um temporal inescrupuloso
que cai inundando a cidade)
arrumo abrigo em tuas palavras
antigas
amigas
amantes
em teus escritos encontro proteção
e já não há vento,
relâmpago ou trovão
no teu ritmo, em tua melodia,
decifro teu universo particular
e apago qualquer gota de solidão
sei de cor cada verso
teu coração
decorado com tua caligrafia
No livro de achados e perdidos da vida
lá estás
letra a letra
comigo em toda rima
ao meu lado em cada linha
na de partida
na de chegada
e ao longo do caminho
e o que faço com tanta nostalgia?
Cada lágrima agridoce
verte uma poesia
sem atenção à rima
à métrica e à razão
O que inspiro
não é ar
O que me inspira
é sua alma
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Cuidados
Não me venha com promessas vãs
não invente que sem mim não vive
que meu sorriso ilumina o mundo
que eu sou seu talismã...
Não me apareça com rimas prontas
clichês de comédia romântica
histórias de almas gêmeas
e todo esse amor de faz-de-conta...
Não diga que me ama...
em menos de uma semana,
não há jeito de eu acreditar!
Não diga coisa que você não sente
Não tente se adequar aos meus sonhos
não exagere no desejo de agradar!
Nunca diga nada sem significado
me assusta quem mal sabe que mente...
Por isso, falar muito não adianta
palavras só tocam a superfície
atos é que são provas
o melhor jeito de amar...
Se você vier muito afobado
achando que é meu dono
e ficando logo grudado
eu fujo!
Rapidinho me afasto!
Tanta urgência desmedida
só pode ser carência
loucura, obsessão...
Amor de verdade vem aos poucos
precisa ser conquistado
cultivado,
aprimorado...
Posso parecer fria
insensível, cínica e desinteressada...
Mas não se iluda:
eu sou é cuidadosa, precavida
e, acima de tudo,
Frágil.
não invente que sem mim não vive
que meu sorriso ilumina o mundo
que eu sou seu talismã...
Não me apareça com rimas prontas
clichês de comédia romântica
histórias de almas gêmeas
e todo esse amor de faz-de-conta...
Não diga que me ama...
em menos de uma semana,
não há jeito de eu acreditar!
Não diga coisa que você não sente
Não tente se adequar aos meus sonhos
não exagere no desejo de agradar!
Nunca diga nada sem significado
me assusta quem mal sabe que mente...
Por isso, falar muito não adianta
palavras só tocam a superfície
atos é que são provas
o melhor jeito de amar...
Se você vier muito afobado
achando que é meu dono
e ficando logo grudado
eu fujo!
Rapidinho me afasto!
Tanta urgência desmedida
só pode ser carência
loucura, obsessão...
Amor de verdade vem aos poucos
precisa ser conquistado
cultivado,
aprimorado...
Posso parecer fria
insensível, cínica e desinteressada...
Mas não se iluda:
eu sou é cuidadosa, precavida
e, acima de tudo,
Frágil.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Já era, já foi!
Quando você me cativou
Pôs as estrelas aos meus pés
Pintou nos meus dias as suas cores
Prometendo-me um futuro encantado
Mas você partiu e me quebrou
Fez da minha sorte revés
Transformou a vida em dores,
Em um inverno muito demorado...
Até que um belo dia você voltou
dizendo trazer de saturno os anéis,
querendo enfeitar o mundo com flores...
Como se nada houvesse mudado!
Mas agora eu sou outra, não notou?
Achei que era pra sempre, mas, ao invés,
Vi que o tempo cura tudo, até amores!
E fortalece um coração abandonado...
Pôs as estrelas aos meus pés
Pintou nos meus dias as suas cores
Prometendo-me um futuro encantado
Mas você partiu e me quebrou
Fez da minha sorte revés
Transformou a vida em dores,
Em um inverno muito demorado...
Até que um belo dia você voltou
dizendo trazer de saturno os anéis,
querendo enfeitar o mundo com flores...
Como se nada houvesse mudado!
Mas agora eu sou outra, não notou?
Achei que era pra sempre, mas, ao invés,
Vi que o tempo cura tudo, até amores!
E fortalece um coração abandonado...
domingo, 13 de janeiro de 2008
Amantes futuros
Minha alma rima com a sua
mesmo nos versos mais incomuns...
como em canções de band-aids no calcanhar,
de rapazes latino-americanos sem dinheiro no bolso,
ou de escafandristas que virão explorar...
Nossas vidas é que destoam,
em tempo, espaço e harmonia
como o vozerão do locutor da rádio,
incompatível com sua figura franzina.
Mas não se afobe não, que nada é pra já...
é só um problema de ritmo,
nada impossível de se consertar!
(mesmo porque, toda dificuldade é relativa:
é bem mais fácil, por exemplo,
do que fazer a paz no Oriente reinar)
Em outra analogia musical,
nós dois somos como o jazz:
cheios de improvisos...
ou, numa mais visual,
um quadro alegre do Romero Brito.
O fato é que,
ainda que desencontrados,
somos arte
em todos os sentidos.
..................................................
É válido escrever as impressões sobre meus próprios escritos? Pensei um pouco nisso (menos de meio minuto, imagino) e conclui que sim, pelo menos pra referências futuras. Mesmo pq, aquele bonito plano de só escrever sem esses comentários pessoais já foi pro espaço mesmo! Então, achei esse textinho muito simpático, mas acho que falta alguma coisa. Ou talvez sobre, não sei. Pode ser que funcionasse melhor com rimas de verdade ou com alguma mensagem melhor elaborada... enfim, escrevi agorinha, sem preparativos ou pós-produção, surgido do nada, de repente mesmo, nem sei sob qual inspiração. Tendo em vista tais condições, eu até gostei. Se alguém tiver sugestões, eu aceito. Todo texto meu é uma obra aberta. Quer dizer, quase todo. De alguns eu quase tenho ciúmes, mas são raras exceções.
Então tchau.
mesmo nos versos mais incomuns...
como em canções de band-aids no calcanhar,
de rapazes latino-americanos sem dinheiro no bolso,
ou de escafandristas que virão explorar...
Nossas vidas é que destoam,
em tempo, espaço e harmonia
como o vozerão do locutor da rádio,
incompatível com sua figura franzina.
Mas não se afobe não, que nada é pra já...
é só um problema de ritmo,
nada impossível de se consertar!
(mesmo porque, toda dificuldade é relativa:
é bem mais fácil, por exemplo,
do que fazer a paz no Oriente reinar)
Em outra analogia musical,
nós dois somos como o jazz:
cheios de improvisos...
ou, numa mais visual,
um quadro alegre do Romero Brito.
O fato é que,
ainda que desencontrados,
somos arte
em todos os sentidos.
..................................................
É válido escrever as impressões sobre meus próprios escritos? Pensei um pouco nisso (menos de meio minuto, imagino) e conclui que sim, pelo menos pra referências futuras. Mesmo pq, aquele bonito plano de só escrever sem esses comentários pessoais já foi pro espaço mesmo! Então, achei esse textinho muito simpático, mas acho que falta alguma coisa. Ou talvez sobre, não sei. Pode ser que funcionasse melhor com rimas de verdade ou com alguma mensagem melhor elaborada... enfim, escrevi agorinha, sem preparativos ou pós-produção, surgido do nada, de repente mesmo, nem sei sob qual inspiração. Tendo em vista tais condições, eu até gostei. Se alguém tiver sugestões, eu aceito. Todo texto meu é uma obra aberta. Quer dizer, quase todo. De alguns eu quase tenho ciúmes, mas são raras exceções.
Então tchau.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
o peso, a leveza e o amor nisso tudo...
Leve o suficiente
para não ser um fardo;
Pesado o bastante
para não se esvair no ar
....................................................................
Os calendários marcam um novo ano, mas as mudanças param por aí. Dessa vez não perdi meu tempo fazendo resoluções de ano novo, das quais certamente iria me esquecer em poucas semanas... é preferível perder tempo com coisas pouco menos improdutivas. Já as coisas produtivas andam fora de meu alcance: o tal hiato criativo continua tomando conta de mim. Com tamanha falta de inspiração, não tenho escrito nem comentários nos blogs preferidos. Mas hoje resolvi me esforçar a escrever algo e, como o resultado até agora não está muito bom, vou parar logo e visitar os blogs alheios - que certamente hão de me inspirar a comentar e, quem sabe em pouco tempo, também a produzir novos escritos próprios e publicáveis.
Ah, "O peso, a leveza e o amor nisso tudo" foi apenas uma anotação feita em um caderninho na época em que li "A Insustentável Leveza do Ser", do Milan Kundera.
Até!
para não ser um fardo;
Pesado o bastante
para não se esvair no ar
....................................................................
Os calendários marcam um novo ano, mas as mudanças param por aí. Dessa vez não perdi meu tempo fazendo resoluções de ano novo, das quais certamente iria me esquecer em poucas semanas... é preferível perder tempo com coisas pouco menos improdutivas. Já as coisas produtivas andam fora de meu alcance: o tal hiato criativo continua tomando conta de mim. Com tamanha falta de inspiração, não tenho escrito nem comentários nos blogs preferidos. Mas hoje resolvi me esforçar a escrever algo e, como o resultado até agora não está muito bom, vou parar logo e visitar os blogs alheios - que certamente hão de me inspirar a comentar e, quem sabe em pouco tempo, também a produzir novos escritos próprios e publicáveis.
Ah, "O peso, a leveza e o amor nisso tudo" foi apenas uma anotação feita em um caderninho na época em que li "A Insustentável Leveza do Ser", do Milan Kundera.
Até!
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