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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

sua . sim . sou


A melhor parte de você
sou eu

Sua única certeza,
sua esperança,
as canções de amor não ouvidas,
seu refúgio nas tempestades

Eu sou sua beleza,
seu desejo,
sua constância,
o sal nas suas feridas,
as juras há muito esquecidas,
sua rima,
seu enredo,
suas saudades

Sou em você a sutileza,
os exageros
e os entremeios
todo o brilho e os contrastes
sou eu
os seus sorrisos, a sua lembrança
a vozinha da sua consciência,
sua própria divindade
(pessoal e intransferível)

Também sou sua kriptonita,
seu golinho de cerveja,
sua maior fraqueza,
em seu olhar, a insegurança,
toda a dualidade

Eu sou a ponta do torturante band-aid
no seu calcanhar
e a melodia que nunca para de tocar

É por mim que seus olhos se abrem,
sou eu sua pureza,
seu sonho de criança,
o final feliz do seu conto de fadas,
a sua eternidade


Eu sou a pipa
e você,
minha linha.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Implicância

Pego linha e agulha
pra me costurar em você...

Você já chega com a tesoura!

Perco então o fio da meada
e me enrolo.
Peço ajuda à desatadora de nós,
nossa senhora,
que me ensine a desatar-nos!

Começo a tecer uma colcha
de momentos.
Espalho as lembranças,
entrelaço-as cuidadosamente...
Depois de muito trabalho,
estendo a colcha no chão
pra você passar.

Mas você voa e nem vê!

Desisto,
não quero mais saber!
Dobro nosso memorial
com desvelo revoltado
e o acomodo em um baú,
que tranco a cadeado.
A chave, jogo fora...

E você a pega no ar!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Assim

Se eu não sou exatamente
o que você queria,
paciência!

Você também não é
quem eu imaginava
e o quero, mesmo assim,
assim mesmo.

se você for
exatamente como imagino
igualzinho aos meus sonhos
eu vou embora
detesto desmancha-prazeres

(Martha Medeiros)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Tautologia

Meu corpo inteiro
sorri
ao vê-lo

Palavras se abraçam
ao pensar
em você

Sou repetitiva,
quase obcecada
Da boca pra dentro,
só falo em você

Faço versos sem rimas
que nunca tocarão
seus olhos

Tudo o que calo é da boca pra fora.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Head Over Feet

Não se espante se eu me apaixonar por você
Eu sou assim: me apego fácil
E me encanto, e me iludo, e me apaixono...

Não se espante se for logo por você
e seus cabelos despenteados,
e seus tênis remendados,
e suas desculpas esfarrapadas...

Acontece que, entre trancos e barrancos
e remendos e farrapos...
eu me encontro
e me encanto...

Mas não se espante,
ouvi dizer que é assim mesmo:
O amor despenteia
(como em propaganda de shampoo)

quinta-feira, 19 de julho de 2007

É

É, só pode ser amor, acho que você tem razão. Fico mais feliz ao seu lado. Sou mais eu quando estou com você. Já em sua ausência, sou toda você. Tá certo, você já sabia: só podia ser amor. Mas como foi que eu cheguei à conclusão sozinha? Logo eu que não acreditava em amor? Foi difícil, eu lhe garanto. O processo de aceitação mais lento e gradual pelo qual já passei. Começou com afeição, virou encantamento, seduziu-se com a cumplicidade, confundiu-se com amizade. No meio da fase da acomodação, espantou-se com vontade, necessidade, ciúmes e brutais saudades. Por fim veio à luz. Amor, só pode ser amor... Afeiçãozinha safada aquela, não? E agora, que nós dois sabemos disso, é melhor pararmos de perder tempo, não acha? Então, vamos correndo para o centro da Terra, onde o calor intenso vai conservar nossa chama?