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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Carrego sentimentos alheios

As lágrimas são de um filme
tão triste, mas tão triste, que não adiantou a mensagem de esperança no final
ficou o sal na lembrança, a perda,
e a repentina vontade de chorar
sem explicação

Falando em vontade,
essa que às vezes me dá,
de dançar enlouquecida, sem jeito e sem parar,
é toda daquela melodia de notas agudas, harmoniosa, alegre como riso de criança,
que grudou na cabeça feito chiclete
e não sai de jeito nenhum porque eu não sei assoviar

Já todo esse amor que eu sinto,
desmedido e sem explicação,
que é maior que tudo no mundo (o universo dos amores)
tão feliz e correspondido,
não passa de ficção
Vem daquele livro que eu leio há anos e nunca termino
(pra ser sincera, nem pretendo terminar!)…
é que quando tô chegando no final, dá uma saudade!…
aí eu volto, releio, sinto mais um pouquinho,
e me apaixono tudo de novo, como na primeira vez

Sabe o meu lado sombrio? veio de uma pintura
aquela que é quase poesia, quase desespero
uma amargura sem alento
com cores sérias, frias e escuras
que não formam nada definido,
nem mesmo esse sentimento…

E essa solidão,

...Essa solidão…

Ah, não, essa é minha mesmo.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Amantes futuros

Minha alma rima com a sua
mesmo nos versos mais incomuns...
como em canções de band-aids no calcanhar,
de rapazes latino-americanos sem dinheiro no bolso,
ou de escafandristas que virão explorar...

Nossas vidas é que destoam,
em tempo, espaço e harmonia
como o vozerão do locutor da rádio,
incompatível com sua figura franzina.

Mas não se afobe não, que nada é pra já...
é só um problema de ritmo,
nada impossível de se consertar!
(mesmo porque, toda dificuldade é relativa:
é bem mais fácil, por exemplo,
do que fazer a paz no Oriente reinar)

Em outra analogia musical,
nós dois somos como o jazz:
cheios de improvisos...
ou, numa mais visual,
um quadro alegre do Romero Brito.

O fato é que,
ainda que desencontrados,
somos arte
em todos os sentidos.


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É válido escrever as impressões sobre meus próprios escritos? Pensei um pouco nisso (menos de meio minuto, imagino) e conclui que sim, pelo menos pra referências futuras. Mesmo pq, aquele bonito plano de só escrever sem esses comentários pessoais já foi pro espaço mesmo! Então, achei esse textinho muito simpático, mas acho que falta alguma coisa. Ou talvez sobre, não sei. Pode ser que funcionasse melhor com rimas de verdade ou com alguma mensagem melhor elaborada... enfim, escrevi agorinha, sem preparativos ou pós-produção, surgido do nada, de repente mesmo, nem sei sob qual inspiração. Tendo em vista tais condições, eu até gostei. Se alguém tiver sugestões, eu aceito. Todo texto meu é uma obra aberta. Quer dizer, quase todo. De alguns eu quase tenho ciúmes, mas são raras exceções.
Então tchau.

domingo, 18 de novembro de 2007

Solidão

Passo dias olhando pro teto
de estrelas de plástico
que eu mesma pendurei.
Lá fora, passam as nuvens,
passa o sol,
passa a chuva,
passa a lua,
até as estrelas de verdade...
Lá fora tem gente gritando,
carros correndo
e buzinas tocando.

Aqui dentro, toca Jazz e Blues.
Um saxofone chora,
um piano vibra,
corações dançam
e espíritos flutuam...
Eu apenas ouço
e deixo o espírito se levar
em um mar de emoções alheias,
que encharcam as minhas próprias,
sem conseguir me lavar.

Leio palavras que nunca foram minhas,
nem para mim foram escritas,
mas não importa,
eu as tomo,
passam a ser minhas
assim que tocam os olhos
e se inscrevem na alma.

Palavras
que não formam o mundo
nem sobreviveriam à realidade,
mas estão salvas aqui,
dentro dos livros,
dentro de mim.

Coleciono imagens que nunca vi
numa galeria imaginária,
com outras que até vivi,
ou quase,
repintadas com as cores da memória.
Lembro de gente que inventei,
reinvento gente que conheci,
conheço gente de que nem me lembro...

Tudo acontece sob esse teto que me olha
com suas estrelas fluorescentes,
essa música que me ouve
sem piano e saxofone,
essas palavras que me lêem
sem mentiras e sem verdades,
e essas imagens que me pintam
com cores que nem existem...


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Não abandonei o blog, mas acho que estou em um hiato criativo. O que é quase estranho, considerando a introspecção que me tomou nessas últimas semanas... Estou atolada em coisas pra fazer (como sempre, aliás) e só passei aqui para mostrar que ainda vivo. O texto talvez não faça muito sentido, escrevi agora em, sei lá, cinco ou dez minutos (o tempo passa em um ritmo estranho no meu mundo). Não pensei muito sobre ele, não escolhi muito as palavras. Está tão desleixado e avoado quanto eu tenho estado. Talvez outro dia eu tente melhorá-lo. Eu tinha feito um acordo comigo mesma de não dar explicações e nem escrever a esmo quando comecei o blog neste endereço, mas não dá pra evitar. Tudo o que tenho escrito recentemente são conversas informais com o papel e, tendo em vista o "hiato criativo", o acordo meio que foi para o espaço. Mas por enquanto chega.
Tchau.