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domingo, 23 de janeiro de 2011

Abandono

Como um palhaço de luto,
você vive me dizendo adeus

Eu
vivo
esperando

como as flores que caem da árvore
e enfeitam o chão.


domingo, 13 de janeiro de 2008

Amantes futuros

Minha alma rima com a sua
mesmo nos versos mais incomuns...
como em canções de band-aids no calcanhar,
de rapazes latino-americanos sem dinheiro no bolso,
ou de escafandristas que virão explorar...

Nossas vidas é que destoam,
em tempo, espaço e harmonia
como o vozerão do locutor da rádio,
incompatível com sua figura franzina.

Mas não se afobe não, que nada é pra já...
é só um problema de ritmo,
nada impossível de se consertar!
(mesmo porque, toda dificuldade é relativa:
é bem mais fácil, por exemplo,
do que fazer a paz no Oriente reinar)

Em outra analogia musical,
nós dois somos como o jazz:
cheios de improvisos...
ou, numa mais visual,
um quadro alegre do Romero Brito.

O fato é que,
ainda que desencontrados,
somos arte
em todos os sentidos.


..................................................

É válido escrever as impressões sobre meus próprios escritos? Pensei um pouco nisso (menos de meio minuto, imagino) e conclui que sim, pelo menos pra referências futuras. Mesmo pq, aquele bonito plano de só escrever sem esses comentários pessoais já foi pro espaço mesmo! Então, achei esse textinho muito simpático, mas acho que falta alguma coisa. Ou talvez sobre, não sei. Pode ser que funcionasse melhor com rimas de verdade ou com alguma mensagem melhor elaborada... enfim, escrevi agorinha, sem preparativos ou pós-produção, surgido do nada, de repente mesmo, nem sei sob qual inspiração. Tendo em vista tais condições, eu até gostei. Se alguém tiver sugestões, eu aceito. Todo texto meu é uma obra aberta. Quer dizer, quase todo. De alguns eu quase tenho ciúmes, mas são raras exceções.
Então tchau.

domingo, 18 de novembro de 2007

Solidão

Passo dias olhando pro teto
de estrelas de plástico
que eu mesma pendurei.
Lá fora, passam as nuvens,
passa o sol,
passa a chuva,
passa a lua,
até as estrelas de verdade...
Lá fora tem gente gritando,
carros correndo
e buzinas tocando.

Aqui dentro, toca Jazz e Blues.
Um saxofone chora,
um piano vibra,
corações dançam
e espíritos flutuam...
Eu apenas ouço
e deixo o espírito se levar
em um mar de emoções alheias,
que encharcam as minhas próprias,
sem conseguir me lavar.

Leio palavras que nunca foram minhas,
nem para mim foram escritas,
mas não importa,
eu as tomo,
passam a ser minhas
assim que tocam os olhos
e se inscrevem na alma.

Palavras
que não formam o mundo
nem sobreviveriam à realidade,
mas estão salvas aqui,
dentro dos livros,
dentro de mim.

Coleciono imagens que nunca vi
numa galeria imaginária,
com outras que até vivi,
ou quase,
repintadas com as cores da memória.
Lembro de gente que inventei,
reinvento gente que conheci,
conheço gente de que nem me lembro...

Tudo acontece sob esse teto que me olha
com suas estrelas fluorescentes,
essa música que me ouve
sem piano e saxofone,
essas palavras que me lêem
sem mentiras e sem verdades,
e essas imagens que me pintam
com cores que nem existem...


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Não abandonei o blog, mas acho que estou em um hiato criativo. O que é quase estranho, considerando a introspecção que me tomou nessas últimas semanas... Estou atolada em coisas pra fazer (como sempre, aliás) e só passei aqui para mostrar que ainda vivo. O texto talvez não faça muito sentido, escrevi agora em, sei lá, cinco ou dez minutos (o tempo passa em um ritmo estranho no meu mundo). Não pensei muito sobre ele, não escolhi muito as palavras. Está tão desleixado e avoado quanto eu tenho estado. Talvez outro dia eu tente melhorá-lo. Eu tinha feito um acordo comigo mesma de não dar explicações e nem escrever a esmo quando comecei o blog neste endereço, mas não dá pra evitar. Tudo o que tenho escrito recentemente são conversas informais com o papel e, tendo em vista o "hiato criativo", o acordo meio que foi para o espaço. Mas por enquanto chega.
Tchau.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Implicância

Pego linha e agulha
pra me costurar em você...

Você já chega com a tesoura!

Perco então o fio da meada
e me enrolo.
Peço ajuda à desatadora de nós,
nossa senhora,
que me ensine a desatar-nos!

Começo a tecer uma colcha
de momentos.
Espalho as lembranças,
entrelaço-as cuidadosamente...
Depois de muito trabalho,
estendo a colcha no chão
pra você passar.

Mas você voa e nem vê!

Desisto,
não quero mais saber!
Dobro nosso memorial
com desvelo revoltado
e o acomodo em um baú,
que tranco a cadeado.
A chave, jogo fora...

E você a pega no ar!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Assim

Se eu não sou exatamente
o que você queria,
paciência!

Você também não é
quem eu imaginava
e o quero, mesmo assim,
assim mesmo.

se você for
exatamente como imagino
igualzinho aos meus sonhos
eu vou embora
detesto desmancha-prazeres

(Martha Medeiros)

sábado, 8 de setembro de 2007

Endless

Faço muitos planos
que descem pelo ralo
e se perdem no esgoto

Então improviso

Tenho uns surtos
de inspiração,
outros,
psicóticos

com dedos sapateando o teclado,
escrevo coisas sem nexo
tento (em vão) fazer poesia do cotidiano
e viver as palavras que brotam de mim

...

e agora, o que dizer?
como termino?
Sei lá!
Eu mesma sou sem fim...

domingo, 26 de agosto de 2007

Madrugada

Ausência
de corpo presente
e copo vazio
Vazando

Deixo-me ir

Calo o silêncio
com sons
que consolam
o amanhecer

sábado, 18 de agosto de 2007

Abrigo

Uma dança,
um descuido,
mero acaso.
CD do Chico,
passos suaves,
um abraço.

Momentos assim são leves,
como penas
suspensas no ar
por um sopro,
um suspiro breve...

De repente
um beijo calado,
colado,
que se repete
entre vãos,
cheio de mãos...

Como a brisa
varre as folhas secas
no outono,
eu te sigo,
passo a passo,
passando a limpo
um desejo desvairado

No fim, peço apenas
que leve consigo
meu riso rasgado;
que eu trago comigo
seus olhos
em meus sonhos
mais ousados.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

quem tem fome tem pressa

tenho fome de tudo
e tenho pressa
quero tudo pra ontem
e do meu jeito

se o que eu busco
não existe
não desisto
eu invento

com unhas e dentes
eu devoro
sem decoro
indecente