quinta-feira, 8 de outubro de 2009

e o mundo insiste em não fazer sentido

- É incrível. Eu nunca tive você de verdade, e mesmo assim vivo te perdendo. Eu continuo aqui, esperando, e você sempre vai embora...
- Mas eu sempre volto.
- Eu me pergunto o porquê disso. Qual o sentido em voltar, se você nunca fica?
- Ora, se eu não for embora, não dá pra voltar, né! (ela faz uma careta) E não faça essa cara. Eu sempre volto.
- Cada vez menos.
- Cada vez menos?
- É. Cada vez que volta, é menos você. Eu te perco aos pouquinhos… Qualquer dia desses, nem mesmo vou te reconhecer.
- Você está exagerada hoje.
- O que você quer dizer com “hoje”?
(os dois riem)
- Não se preocupe, eu nunca vou embora de verdade, você devia saber. Eu nem mesmo sei como ir embora de verdade. Você é a minha única constante, o caminho que eu conheço sem depender dos meus sentidos.
- Droga. Você é sempre cheio de respostas.
- Não quero que você tenha dúvidas. Insegurança não combina contigo.
- Quanto tempo vai ser desta vez? Mais um ano? Dois? Três? Eu estou ficando velha. E cansada.
- Essa resposta eu não tenho. Sobre o tempo, quer dizer. Quanto ao cansaço, tente guaraná em pó, dizem que funciona.
- Engraçadinho. É melhor você ir logo, de nada adianta prolongar este momento, nunca é suficiente mesmo… Quantas horas cabem nesta meia-noite? Parece que nem meia…
- Tá vendo?! Você queria saber, é por isso. É exatamente por isso que eu sempre volto. Condenado, desde o primeiro momento, pela luz dos seus olhos. E sem a menor intenção de ser salvo…
(os dois se olham em silêncio por um longo momento, até que ele abre a boca pra dizer alguma coisa, mas ela interrompe)
- Se você disser que vai, mas deixa seu coração comigo, eu juro que vomito.
(ele sorri, beija o rosto dela e sai)
(ela, em silêncio, ainda com um esboço de sorriso nos lábios, deixa uma tímida lágrima rolar)

Eu, cada vez que vi você chegar
Me fazer sorrir e me deixar
Decidido eu disse: nunca mais 
Mas novamente estúpido provei
Desse doce amargo, quando eu sei 
Cada volta sua o que me faz
Vi todo o meu orgulho em sua mão
Deslizar, se espatifar no chão 
Eu vi o meu amor tratado assim 
Mas basta agora o que você me fez
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais pra mim
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais 

Eu, toda vez que vi você voltar 
Eu pensei que fosse pra ficar
E mais uma vez falei que sim
Mas já depois de tanta solidão 
Do fundo do meu coração 
Não volte nunca mais pra mim
Do fundo do meu coração 
Não volte nunca mais pra mim

Se você me perguntar se ainda é seu
Todo meu amor, eu sei que eu 
Certamente vou dizer que sim
Mas já depois de tanta solidão 
Do fundo do meu coração 
Não volte nunca mais pra mim
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais 

(Do Fundo do Meu Coração - Roberto e Erasmo Carlos)

4 comentários:

Fern. disse...

A pior dor é a dor fingida.

Mesmo escrevendo sobre algué querido que vai embora, você ainda consegue ser divertida! =)

Bom te ver aqui! Beijão!

Adrielly Soares disse...

Tão delicioso e doloroso ao mesmo tempo, como você consegue?
Eu adorei o texto.
Um beijoo.

Vou alí ver o meme.
;*

D. disse...

Adorei, adorei mesmo!
O jeito de descrever a cena, a sutileza em tratar de um tema triste.
Muito bom!

Tiago disse...

por quê que ele tem que ir, meu deus!?
lu, você é má.
não gosto mais de você.
estou de mal até que você faça a continuação, o próximo encontro with happy end.
corta aqui.