quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Dica

Então, tem esse site, de decoração que eu adoro. Os textos são gostosos de se ler, as imagens são lindas e as dicas, ótimas. Já fiz listras no meu quarto, estou (aos poucos) enchendo uma parede de quadros e anotando mentalmente tudo o que quero renovar quando finalmente estiver de férias.
Já tem um ano (ou quase), que eu descobri o site e me viciei, tem sempre um monte de coisinhas que dá vontade de ter/fazer. E a @vpontes, dona do site, é um doce.
Não bastasse, esse mês ela está sorteando três almofadas LINDAS do www.mambembe.com.br/loja . O Mercado Mambembe tem cada coisa mais linda que a outra. Se alguém quiser me dar um presente, já sabe onde procurar (Qq coisa da linha alice, um colar ninho ou coisas com ícone twitter da linha Geek serão mais do que bem vindas!).

Mudando de assunto, tenho dois textos querendo vir pra cá. Talvez na semana que vem, qdo acabam minhas provas. Bem, na verdade, são duas partes do mesmo texto, ou melhor, da mesma história. Quando eles vierem, explico, vai fazer muito mais sentido. Ou não...


Ah, o link da promoção tá aqui, e da página principal do de(coeur)ração, aqui.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

e o mundo insiste em não fazer sentido

- É incrível. Eu nunca tive você de verdade, e mesmo assim vivo te perdendo. Eu continuo aqui, esperando, e você sempre vai embora...
- Mas eu sempre volto.
- Eu me pergunto o porquê disso. Qual o sentido em voltar, se você nunca fica?
- Ora, se eu não for embora, não dá pra voltar, né! (ela faz uma careta) E não faça essa cara. Eu sempre volto.
- Cada vez menos.
- Cada vez menos?
- É. Cada vez que volta, é menos você. Eu te perco aos pouquinhos… Qualquer dia desses, nem mesmo vou te reconhecer.
- Você está exagerada hoje.
- O que você quer dizer com “hoje”?
(os dois riem)
- Não se preocupe, eu nunca vou embora de verdade, você devia saber. Eu nem mesmo sei como ir embora de verdade. Você é a minha única constante, o caminho que eu conheço sem depender dos meus sentidos.
- Droga. Você é sempre cheio de respostas.
- Não quero que você tenha dúvidas. Insegurança não combina contigo.
- Quanto tempo vai ser desta vez? Mais um ano? Dois? Três? Eu estou ficando velha. E cansada.
- Essa resposta eu não tenho. Sobre o tempo, quer dizer. Quanto ao cansaço, tente guaraná em pó, dizem que funciona.
- Engraçadinho. É melhor você ir logo, de nada adianta prolongar este momento, nunca é suficiente mesmo… Quantas horas cabem nesta meia-noite? Parece que nem meia…
- Tá vendo?! Você queria saber, é por isso. É exatamente por isso que eu sempre volto. Condenado, desde o primeiro momento, pela luz dos seus olhos. E sem a menor intenção de ser salvo…
(os dois se olham em silêncio por um longo momento, até que ele abre a boca pra dizer alguma coisa, mas ela interrompe)
- Se você disser que vai, mas deixa seu coração comigo, eu juro que vomito.
(ele sorri, beija o rosto dela e sai)
(ela, em silêncio, ainda com um esboço de sorriso nos lábios, deixa uma tímida lágrima rolar)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

... Mas ... (meme)

Você sabe
e eu sei,
mas alguém tem que dizer em voz alta
É uma lástima que essa tarefa caiba a mim,
mas, meu bem,
não dá pra continuar assim.
O silêncio entre nós forjou a distância,
distância que se transformou em abismo
só dá pra recuar
ou saltar em queda livre
e antes que eu aprenda a odiá-lo
e continue a chamá-lo de "amor" por costume,
é melhor parar por aqui.

Talvez um dia a gente se reencontre
e redescubra aquela velha conexão ...
mas, por ora,
prefiro preservar as boas lembranças
e trilhar novos caminhos

Eu sei, você acha que eu vou me arrepender...
É possível,
bastante provável,
que sem o ver eu passe a enxergá-lo melhor,
sinta falta do que hoje me irrita,
te ouça em cada verso de cada canção de amor
e,
nas comédias românticas,
assista aos nossos risos e beijos, nostálgica

E então,
qualquer noite dessas,
depois de umas taças de vinho,
sentirei uma vontade irresistível de ligar pra você
e, como acontece com toda vontade irresistível,
vou perder
e vou ligar
Ao ver meu número em seu telefone,
você vai me ignorar,
mas eu não vou desistir
vou ligar de novo,
e de novo,
e mais uma vez
e outra
e novamente...
E você, ao invés de colocar no vibracall
ou desligar o celular,
vai me atender
e gritar comigo
vai me mandar parar de ficar ligando
"não foi você quem quis terminar?!
Então, agora me esqueça, me deixe em paz,
vai trilhar seus novos caminhos"...
Talvez ainda me xingue de nomes indecorosos
e me mande para tudo quanto é lugar
"como você teve a coragem de terminar comigo por email?
Depois de tanto tempo!
Eu não merecia pelo menos um telefonema?"
E, quando você cansar de gritar,
entre lágrimas e soluços,
eu e minha ironia vamos responder
"... mas eu estou ligando..."
E você vai desligar o telefone na minha cara,
e eu vou ligar de novo,
e de novo,
e outra vez...
até que vou aparecer na porta da sua casa,
cantando a música dos elefantes que incomodam muita gente,
até que você não resista mais e venha me ver
E vamos chorar,
reclamar,
trocar acusações,
amarguras
e exageros
até derretermos nos braços um do outro,
onde descobriremos ser o nosso lugar...

Ou então
talvez
eu encontre um novo amor,
você me esqueça de vez
e eu muito mal me lembre de seu nome
para ligar ao rosto na fotografia...

Ah, sei lá!

A única certeza é de que o tempo está errado,
estamos cedo demais
ou muito atrasados,
perdidos em um relacionamento amarrotado,
estancado,
moribundo...

Pode ser que depois seja diferente,
mas agora,
chove,
é madrugada
e hora de dizer adeus,
como se fosse a nossa última palavra...

---------------------------------------------------

Este post foi em resposta ao meme que me foi indicado pela xuxu
Ele foi proposto por Daniele Vieira (que eu não conheço, confesso!), para que os indicados fizessem uma carta como se rompesse com um certo alguém.
A ideia foi inspirada na exposição Cuide de Você, da francesa Sophie Calle, que convidou 104 mulheres para interpretarem um e-mail de seu ex-namorado que gostaria de romper o relacionamento de ambos.
As regras do meme são as seguintes:
1.: Escrever uma carta como se você estivesse rompendo com o seu (sua) namorado(a);
2.: Escrever estas regras e uma breve explicação do que é o meme (isso aqui);
3.: Indicar cinco pessoas.

Meus indicados são: Karina, Coral, Ti, Maíra e Nina

É isso.
Ah, brigada, Xuxu, vc me inspirou a voltar pra cá! Eu demorei, mas consegui escrever!
Bjinhos

domingo, 14 de junho de 2009

ruínas

ruídos calam os ouvidos
o que ressoa é silêncio,
uma ausência ressentida...
resta este sal na boca:
saudade.

os olhos repelem imagens,
enxergam borrões e farrapos
cercada de rostos desconhecidos,
sonhos rotos, perdidos.
trapos humanos, retardos

a imaginação é o último recurso

crio relacionamentos surreais
recolho os restos da memória,
reminiscências,
que coleciono num livro de recortes

rezo para que um deus de ferro
restaure a honra e a sanidade
de seus filhos desamparados, feridos,
pobres desafortunados
e sem fé

num canto solene,
rogo que também repare meus erros
e minimize os reveses do meu caminho

meu suicídio diário

me reinvento a cada manhã
rompendo os vícios
multiplicando os risos
assumindo os riscos
me arrumando
- ou arruinando -
de va gar . . .

----------------------------------------------
Não sei qual é a desse, nunca o terminei, nem sei como deveria (ou SE vale a pena me esforçar)...
Ah, meus agradecimentos sinceros e emocionados aos que ainda me leem. Minha frágil auto-estima se refestela com os comentáros!
(refestelar-se?! de onde raios surgiu isso?! eu hein, menina esquisita!)

Auto-estima se refestelando:

Regras:
1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro” que você acabou de ganhar!
2- Poste o link do blog que te indicou.
3- Indique 10 blogs de sua preferência.
4- Avise seus indicados.
5- Publique as regras.
6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.
7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com, juntamente com os 10 links dos blogs indicados para vericação.Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.


Regras:
1ª Deve exibir o selinho em seu blog.
2ª Postar o link do blog que te indicou.
3ª Listar 05 desejos de consumo que a deixariam mais glamourosa.
4ª Indicar 10 amigas glamourosas e avisá-las que foram escolhidas.


Incrível, fantástico e extraordinário, eu ganhei dois selinhos. O primeiro, que estou desde fevereiro pra colocar aqui, que veio da Dri, que eu leio há tempos; o segundo, surpresa, da Carolina, que o acaso encontrou pra mim. Obrigada, meninas, adorei!

Agora, seguindo as regras meio "misturadamente", lá vai:

05 desejos de consumo, aleatoriamente:
* escrever e publicar um best-seller
* viver de renda
* encontrar o grande-amor-da-minha-vida, acreditar nisso e ser o grande-amor-da-vida dele
* ter um kindle ou um smart/i-phone ou afim que me permita ler no escuro
* viver uma vida digna de um livro (bom e feliz)

Os Blogs, tb em ordem aleatória:
http://rigoni.wordpress.com/
http://ladybugfallingstar.blogspot.com/
http://adri-elly.blogspot.com/
http://porondemeuspeshaodepisar.blogspot.com/
http://vilarejoparticular.blogspot.com/
http://pele-coral.blogspot.com/
http://poesiaresidual.blogspot.com/
http://provisorioeterno.blogspot.com/
http://texto-al.blogspot.com/
http://pensamentoepoesia.blogspot.com/

Como escolher 10 é mais difícil do que parece, cabe uma menção honrosa prum blog informativo e excelente:
http://fabiolascully.wordpress.com/

Ah, e esses aqui ficaram de fora, de castigo, pq os Safados escrevem muito raramente (mas eu ainda ADORO):
http://adstringencia.blogspot.com/
http://vivendonorio.blogspot.com/

quarta-feira, 6 de maio de 2009

chhhhhhhh

Chovia uma chuva chata,
insistente,
que nem cheiro de chuva tinha.
Sozinha, saudosa,
sentada num canto da sala vazia,
eu sonhava com o dia
em que voltaria a voar,
dando voltas como o vento,
viajando o mundo todo
num balão amarelo
cantando Beatles
e Barão Vermelho...
Esperando o céu dar a volta por cima,
enxugar as lágrimas
e parar de chorar o dia inteiro-
como se fosse uma menina,
saudosa, sozinha,
sem chapéu e sem sapatos
que, por viver com a cabeça nas nuvens,
por descuido ou por esquecimento,
perdeu a droga das chaves de casa.


-------------------------------------

Meus lapsos de inspiração não têm coincidido com a disponibilidade de tempo/computador/internet/lugar-pra-anotar. Não que os lapsos tenham sido muitos também. Não tenho lido meus blogs favoritos, muito mal vejo o twitter ou meu orkut. É que quando eu tenho tempo me livre, meio que me dou ao luxo de não fazer nada. "meio que" pq eu não exatamente me dou ao luxo, mas simplesmente não luto contra a vontade de fazer nada. Qdo eu tiver internet no estágio, pode ser que as coisas fiquem mais agitadinhas por aqui. Tenho uns três textos querendo ficar prontos. Quem sabe, né!?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

água

em dias de tempestade
a correnteza muda o rumo do mar
leva a menina que caiu da canoa
e nunca aprendeu a nadar
ela quase se afoga,
perde o ar,
mas luta bravamente,
se debate, esperneia,
tenta gritar

e ele nem nota

está navegando por aí,
outros mares, outra rota
sendo o norte de outra bússola
sem tempo de olhar à volta
e perceber o desespero da menina,
quase dando cambalhota
perdida, sozinha,
só uma gota
evaporando...


---------------------------------

Achei isso perdido no computador. Não sei bem qual era a idéia na época, mas, com a falta de criatividade que me assola, melhor do que nada. (será?!)
- não é que eu seja relapsa, sou enrolada mesmo. tenho um monte de coisas pra fazer e meu tempo nunca é hábil. impressionante a capacidade que tenho de me perder pelo meu mundo. mas um dia eu me encontro. e me atualizo -

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Retrospectiva 2006

- Olá! Há quanto tempo...
- Pois é... comé que você está?
- Tô indo... e você?
- Estou bem, na mesma.
- "Na mesma"... Isso quer dizer que você está sempre bem?
- "bem" e "na mesma" usados na mesma frase indicam que a vida anda meio tediosa. Nada vai e nada vem; fica sempre na mesma. Como tenho muita noção de que as coisas poderiam ser bastante piores, digo que estou bem. É uma visão parcialmente otimista do tédio.

(Pq fazer retrospectiva do ano que acabou há menos de um mês seria mole demais)

----------------------------------------

Então, aquela história de manter promessas de ano novo não parece estar indo muito bem... mas é que eu demoro pra pegar no tranco. Mais cedo ou mais tarde a negligência me abandona.

Ah, o Jamie Cullum, do post passado: é um jazzista-pop, ou coisa que o valha. Não entendendo de rótulos para músicos, mas também, o que vale é o conteúdo. Quem não conhece, acho que vale a pena colocar o nomezinho dele no youtube e descobri-lo. Provavelmente você já ouviu "Mind Trick" por aí (mesmo pq, alguns sem-coração fizeram uma versão sofrível em português...). É uma dessas músicas que te anima só pela melodia, música alegre, sabe?! Tem cara de fim-de-semana ensolarado viajando com amigos. Pelo menos é o que me vem à cabeça. O Jamie repaginou vários sucessos de antigamente, tipo "I only have eyes for you", "What a difference a day makes", "I get a kick out of you", "In the wee small hours of the morning", "Singing in the rain"... E tb tem músicas originais. Pessoalmente, gosto de todas, me apaixonei a primeira ouvida. Se estiver a toa, experimente, acho que valerá a pena.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009






View all Rio de Janeiro events at Eventful

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo!


(Ano novo, cheio de pensamentos positivos. Porque diferente da física, positividade atrai positividade. Sorria para o mundo que ele sorri pra você. Quântica explica, lei da atração, o segredo. Pois é, eu sei disso tudo. O cinismo é que ainda não entendeu. Safado. Mas tá em tempo. Feliz ano novo!)
((Ah, uma resolução de ano novo: voltar a escrever. Outra: Keep new year's resolutions))

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Insônia

Já passa das três da madrugada, o relógio digital na mesinha cabeceira não deixa que ela se engane. Mas o tempo se confunde, naquele estado quase hipnótico em que horas se passam num piscar de olhos e minutos duram semanas sob um olhar mais atento. Os pensamentos se sobrepõem como roupas empilhadas no armário. Pensa num lugar pra onde deseja viajar e, de repente, lá está. Um centro urbano, cheio de desconhecidos, cada um cuidando de sua vida, assim como ela. Vestida com uma blusa linda que viu há poucos dias em uma vitrine, sua calça jeans favorita e aquelas botas maravilhosas que viu num comercial e decidiu comprar assim que encontrasse. Mas que bolsa é essa? Não se lembra de tê-la visto, certamente não a possui. Mas parece fácil de fazer. Boa idéia, decide comprar tecido e costurar uma bolsa exatamente igual àquela, assim que se levantar. Mas o que está fazendo ali mesmo? Ah, sim, foi encontrar-se com alguém. Onde ele está? Passa os olhos pela multidão, não reconhece ninguém. Espera! Lá no fim, onde a visão mal alcança… quase reconhece, mas ele se move rápido. Ela se vira para acompanhar e tudo fica escuro. Abre os olhos, os números vermelhos do relógio denunciam que se passaram vinte minutos. Mas para onde foram? Não estava dormindo nem nada, apenas pensando. Aquela bolsa, como era mesmo? Ah, nunca vai encontrar um tecido com aquela estampa. Mais uma idéia brilhante que não resiste à luz da realidade, como a maioria delas, aliás. Fixa o olhar no relógio, que parece se envergonhar. Os números só mudam quando ela não está olhando, já ouviu falar nesse tipo de coisa. É uma teoria de que cada coisa existe em seus inúmeros estados possíveis, ao mesmo tempo, quando ninguém está olhando. Mas quando olham, a coisa tem que escolher um estado qualquer pra se apresentar. Acreditava nisso quando era criança, muito antes de ouvir falar nessa teoria, coisa de física quântica. Quando jogava dados, por exemplo, cobria-os antes que alguém pudesse ver, inclusive ela mesma. Tinha certeza de que, se ela pensasse bem forte enquanto ninguém sabia o resultado, os números mudariam para aqueles que ela queria. Mas logo que pensava nisso, sentia-se culpada: os deuses mudariam os números só porque ela tinha descoberto como aquilo funcionava. E quando demonstrava a consciência de que os deuses mudariam tudo, também sabia que eles mudariam tudo de novo só pra confundi-la, pra que ela não soubesse que eles sabiam que ela sabiam. E quando ela chegava a essa conclusão, mudava tudo de novo, sempre neste círculo vicioso cuja única chance de quebra era parar de pensar nisso. Mas o pensamento tem vida própria, continua baixinho, incansável, mesmo que a gente canse dele. Pra evitar tanto trabalho, parou de cobrir os dados - Medida que não foi tão eficaz quanto supunha: se os números não correspondessem à sua vontade, imaginava como teria sido se os tivesse encobertado e caía no mesmo dilema. Até que parou de jogar dados. Era mais saudável, mentalmente falando. Mas até conseguir se livrar desses pensamentos, a lógica foi aplicada em muitas coisas. Na escola, antes de olhar a nota de uma prova, por exemplo, ficava segurando-a, calada, concentrada, desejando que a nota tivesse sido boa. Adiava a vista ao resultado até o último momento, como se alguma coisa pudesse mudar. Continuou com isso até que contou sua lógica para o irmão mais velho, que facilmente a refutou: de nada adiantava que ela adiasse e “pensasse bem forte” se a professora que tinha corrigido a prova já sabia da nota. Era lógico, mas a menina que ainda acreditava em mágica demorou um pouco pra se convencer totalmente. Voltou a olhar para o relógio, dois minutos se passaram. Não é possível! Todo esse resgate de memória, todo esse pensamento lógico, só valeu dois minutos? O tempo não é justo. Mas, pensando bem, o pensamento não foi tão lógico assim, afinal, o relógio deveria se comportar normalmente enquanto ela o observa, não é? Cada minuto deveria durar exatos sessenta segundos. E será que duravam? Será que o problema não estava no relógio, mas na sua própria percepção? Resolveu contar os segundos. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, dez, vinte, cento e oitenta e quatro, os dados, a bolsa… hã? Quando deu por si, já eram quase cinco horas. Os primeiros raios de luz apareciam lá fora, ela decidiu parar de se torturar. Não conseguia dormir, não fazia mal, não ia trabalhar, não tinha nada marcado, poderia perfeitamente dormir à tarde se batesse o sono. Era melhor se levantar logo e deixar a cama livre para a madrugada se deitar. E levantou. Caminhou até a sala e sentou-se no sofá, decidindo o que faria a seguir. Fechou os olhos um instantinho, só para visualizar melhor as possibilidades. Podia comer alguma coisa, tomar um banho, ler um livro, ver um filme, comer, banho… e adormeceu sentada no sofá.


----------------------------------------
é só um trecho. Deve fazer parte de um texto muuuuito maior, se um dia eu conseguir terminá-lo...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Carrego sentimentos alheios

As lágrimas são de um filme
tão triste, mas tão triste, que não adiantou a mensagem de esperança no final
ficou o sal na lembrança, a perda,
e a repentina vontade de chorar
sem explicação

Falando em vontade,
essa que às vezes me dá,
de dançar enlouquecida, sem jeito e sem parar,
é toda daquela melodia de notas agudas, harmoniosa, alegre como riso de criança,
que grudou na cabeça feito chiclete
e não sai de jeito nenhum porque eu não sei assoviar

Já todo esse amor que eu sinto,
desmedido e sem explicação,
que é maior que tudo no mundo (o universo dos amores)
tão feliz e correspondido,
não passa de ficção
Vem daquele livro que eu leio há anos e nunca termino
(pra ser sincera, nem pretendo terminar!)…
é que quando tô chegando no final, dá uma saudade!…
aí eu volto, releio, sinto mais um pouquinho,
e me apaixono tudo de novo, como na primeira vez

Sabe o meu lado sombrio? veio de uma pintura
aquela que é quase poesia, quase desespero
uma amargura sem alento
com cores sérias, frias e escuras
que não formam nada definido,
nem mesmo esse sentimento…

E essa solidão,

...Essa solidão…

Ah, não, essa é minha mesmo.

sábado, 11 de outubro de 2008

Ti

longe de ti
não tenho com quem me intercalar
as madrugadas são silenciosas
o silêncio é sozinho
e a saudade me consome

longe de ti
não sei mais onde é meu lar
todas certezas são vaporosas
o mundo fica pequenininho
e meu ego morre de fome

lu, sem ti, é só bege

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Algodão-doce

Acordou pensando em algodão-doce. Daqueles que vendiam em shoppings, parques e festas de rua quando era pequeno, mas que a mãe nunca comprava. “Isso é açúcar puro! Só serve pra engordar e estragar os dentes!”. Aí, ao invés do doce, ganhava rodelas de cenoura no jantar. “É saudável, tem betacaroteno e ainda é adocicada! Isso sim faz bem pra criança”. Como se ele se importasse com o betacaroteno! Mal conseguia pronunciar a palavra! Hoje em dia, se recusa terminantemente a comer cenoura. “É comida de cavalo e de coelho. Não sou nenhum dos dois”. Quando tinha aniversário de algum amiguinho, a coisa mudava de figura. “Pode comer tudo o que quiser. Pega uns pra levar pra casa. Não se recusa nada que é de graça!”. Obediente, não recusava nenhum doce e ainda catava quantos conseguisse e carregava pra casa, onde reinava a antiga regra da moderação: só podia comer um ou dois por dia, dependendo do tamanho. E só depois das refeições, sem exceções.

A primeira vez que se deparou com uma máquina de algodão-doce foi em uma dessas festas, ele devia ter pouco mais de três anos. Seus olhinhos infantis ficaram maravilhados: como aqueles pequeninos cristais (que só foi descobrir ser um tipo de açúcar anos mais tarde) jogados no furo de uma bacia giratória se transformavam em teias coloridas? Em sua cabecinha fantástica, aquilo sim era mágica, sem enganação! Nada de moedas saindo de orelhas, de panos-coloridos-sem-fim, de bolinhas que se dividem e multiplicam… nem coelhos que nascem de cartolas o interessavam! Era criança, mas não era bobo: sabia que tudo aquilo não passava de truque. Já tinha visto o avô fazer um desses e ele não era nenhum mágico! Bastava a moça pegar o palito para sua inquieta atenção se fixar na dança entre mão, palito e teias coloridas. Receber aquele algodão cor-de-rosa era como ganhar um prêmio. Um troféu quase maior do que o próprio menino, mas tão leve! Deliciou-se por alguns minutos até o doce acabar e então, satisfeito e melado, descobriu qual era sua missão de vida: desvendar todos os mistérios do algodão-doce.

Algumas festas depois, percebeu que o universo queria lhe pregar uma peça. Não havia ali a máquina mágica, os doces já estavam prontos, em várias cores, espetados em uma… árvore! Ora, mas não podia ser! Sabe, os adultos têm sempre a impressão de que as crianças são bobas e fáceis de se enganar. Tolice! Elas se deixam enganar de vez em quando, só pros adultos ficarem felizes. Mas ele não ia se deixar enganar, sabia muito bem que algodão-doce não dava em árvore, já tinha visto de onde nasciam: da bacia giratória com o furo no meio. Enquanto todos os outros deviam estar acreditando que aquilo era mesmo uma árvore de algodão-doce, ele, do alto de sua meninice, sentiu-se o mais esperto dos espertos.

Os doces da árvore eram um pouco menores que os da bacia e já vinham ensacados, mas eram igualmente deliciosos. Achou legal isso de já virem ensacados porque assim dava pra levar pra casa. E foi o que fez. Daquela festa, não levou bolo, bola ou brigadeiro, só algodões-doces, tantos quanto foi capaz de segurar. Quatro (com algum esforço e muito cuidado para não se amassarem), que durariam quatro dias, pois a mãe o deixava comer um depois do almoço, mas não depois da janta, “muito açúcar de noite não deixa criança dormir!”. Esperou ansiosamente pelo almoço do dia seguinte, mas quando pegou o doce, percebeu que estava meio murcho. Tirou o saco cautelosamente e, ao tirar um pedaço, achou a textura um pouco diferente. No contato com a saliva, notou que o algodão derretia como se fosse calda de pudim. Hummm. Ficou um pouco intrigado, mas logo a mãe o chamou e ele foi brincar.

À noite, depois da janta, achou melhor ver como estavam os outros algodões-doces. Escalou a cadeira e sentou-se. Os saquinhos estavam ali, deitados sobre a mesa, ainda mais murchos do que de manhã. Imediatamente lembrou-se das bolas que trouxeram uma vez de outra festa: chegaram cheinhas e redondas, mas foram encolhendo, encolhendo, encolhendo… até que encolheram tanto que ele não podia mais vê-las! “Será que… não! O algodão doce é mágico, não vai sumir assim!” Mas a esperança durou poucos segundos, porque logo em seguida lembrou-se de outra bola, que ganhou em um parque. Ela era prateada, meio achatada e… voava! Seu pai disse que era uma bola mágica e só podia ser mesmo: ela nem tinha asas e sabia voar! Logo aprendeu que é mais fácil de perder uma coisa que voa do que qualquer outra, e por isso, a bola estava amarrada a uma linha que ficou segurando como se daquilo dependesse sua vida. Chegando em casa, amarrou a linha na cama, mas continuou segurando só pra ter certeza de que a bola não ia fugir. E ela não fugiu. Mas no dia seguinte, voava um pouco mais baixo. E ela foi caindo, caindo, progressivamente, até que um dia desapareceu, sem deixar pistas. Fugiu, morreu, coitada. Será que foi de tristeza por ficar presa? Dizem que a infância é a época mais importante da vida de uma pessoa, e deve ser mesmo. Além de não comer cenouras, desde que entendeu que as coisas morrem aprisionadas, nunca criou peixe ou pássaros, nem teve um relacionamento duradouro. Ah, mas isso é outra história. Voltemos àquela noite, sentado, na cozinha, vendo os algodões-doces murcharem… e pensando: como se liberta uma coisa que não voa? O mais esperto dos espertos abriu todos os sacos e comeu todos os doces de uma vez. Ao perceber o silêncio na casa, a mãe, indignada, apareceu na cozinha e encontrou o menino todo lambuzado, cercado de palitos e sacos rasgados. “João Pedro, o que você está fazendo? Por que comeu tudo de uma vez?”. “Eles iam fugir, mamãe”. Ele ainda tentou explicar sua lógica infantil pra se livrar do castigo, mas a mãe achou a cena tão engraçada que deixou pra lá.

Naquela noite, não conseguiu dormir direito. Dessa vez, não porque estivesse com a cabecinha a mil tentando desvendar o mistério, mas por causa da dor de barriga que o assombrou por toda a madrugada. Depois disso, ficou com um pé atrás com os doces, aquela dor de barriga só podia ser um castigo. Primeiro ele aprisiona um ser mágico em um saquinho e, ao invés de libertá-los e comê-los logo no dia da festa, deixou-os ali parados, sem função, tristes, sozinhos e abandonados. Ai, quando começaram a fugir, ele, em seu desespero, impediu. Não podia tê-los deixado presos, depois não adiantava mais remediar. Seria essa a lição? Ou será que tinha outra coisa que ele devia der feito? Felizmente sua cabecinha infantil não se perdia nesses devaneios, ainda não se interessava por lições de moral, especialmente essas lições sutis do dia-a-dia. Aos poucos, foi-se esquecendo do acontecido e arrumando novos interesses e descobertas. Voltou a comer o doce outras vezes durante a infância, mas nunca mais experimentou aquele fascínio inicial. E depois, conforme foi crescendo, algodão-doce foi virando artigo cada vez mais raro. Onde já se viu adolescente comendo algodão-doce?! Também não é coisa de adulto! Não vende em restaurante, nem em padaria ou em supermercado… A vida foi passando e ele foi se esquecendo da existência da nuvem cor-de-rosa no palito. Até aquela manhã.

Aos vinte e tantos anos, sem qualquer motivo aparente, João Pedro acordou pensando em algodão-doce. Não era nem vontade de comer, era outra coisa. O oposto da saudade, um tipo de felicidade que só se sente em reencontros. Mas que reencontro? Fazia anos que sequer via um algodão-doce! Também não tinha sonhado com isso. Quer dizer, não se lembrava bem de seu sonho, mas sabia que não tinha algodão-doce. Tinha uma pizza. Um filme. Era um cinema? Ou era um carro? Ah, sonhos são sempre confusos, só fazem sentido enquanto se sonha. Tinha uma árvore também. E seu cachorro, o Rony. E Ana, Ana também estava no sonho. Foi ela quem levou a pizza? Ah, quanta bobagem! João terminou o café e saiu para o trabalho.

Não pensou mais nisso durante o dia. Nem à tarde. Era sexta-feira, só o que interessava era que o dia terminasse logo e desse lugar ao fim de semana. A semana tinha sido cansativa, trabalhara muito e merecia um descanso. Tinha combinado de se encontrar com Ana, iam tomar um chope pra comemorar qualquer coisa. Ela era bonita, inteligente e divertida, sua companhia favorita para uma sexta à noite. Encontraram-se numa pizzaria. Se abraçaram, trocaram beijinhos. De repente ele percebeu que aquilo era amor: Ana cheirava a algodão-doce.
___________________________________
Falta revisar, mas tô com preguiça...

terça-feira, 15 de julho de 2008

Pedaços

Psiu!
Você ouviu esse barulho,
como um cristal se estilhaçando?

Agora não há mais norte,
nem sul, nem leste ou oeste.
Não há chão onde se equilibrar.

E como respirar?
meus pulmões tentam,
cada vez mais forte,
mas não conseguem:
não tem ar.

Acabaram-se as certezas,
todas elas.
No céu não há sol,
ou lua, nem estrelas.
Se antes o mundo era esquisito,
agora o caos perdeu a bússola.

Nem mais palavras,
não há.
Nada a dizer,
nada a ouvir.

Apenas um sentimento,
só um.
quase raiva,
quase tristeza...
É mágoa.

Já não era mais o mesmo,
mas nem importava.
Como mudou? nem percebi...
O que tínhamos se desfez:
Foram-se os laços,
foram-se os nós,
o Nós.
Agora eu; você
separados por ponto-e-vírgula,
cada um pro seu lado
(e ninguém ao meu)

A memória afetiva até tenta
fazer com que o tempo pare
como em fotografia
e conservar os elos, as rimas,
aquela nossa magia...
Mas nós não paramos no tempo
e quando a gente segue
e se perde,
perde-se
o que pensei ter tido a sorte de encontrar,
de construir,
de cuidar...
Tudo se despedaça.

E não há mais norte ou sul,
lua ou sol,
chão ou ar,
ou magia...

E não tem cola.


_____________________________

é uma idéia na qual vou trabalhar. postando só pra constar.
Beijinhos!

sábado, 31 de maio de 2008

Parece

Parece que foi ontem
que comecei a te amar
no entanto,
já se passaram vários outonos
e primaveras e invernos e verões
Conheço os seus tiques, suas manias,
todos os defeitos da nossa relação
Como se fossem meus,
tiques, manias e defeitos,
e que na verdade o são.

Parece que foi ontem,
mas não.
Daqui a pouco vem outro sábado,
outro domingo, outra estação.
O tempo passa, as coisas mudam,
e você continua aqui,
neste meu coração.
Aqui.
Mudo, quietinho,
ajudando nas rimas fáceis
e afastando a solidão…



--------------------------------------

Esse texto tava aqui no computador há meses, esperando pra ver se eu o melhorava e postava. Já tinha me esquecido, econtrei-o por acaso, tanto acaso quanto um caderninho verde fluorescente pode sinalizar, e lembrei que devia até estar digitado, aguardando pacientemente por melhorias. E estava mesmo, o coitado. Só que não consegui pensar nas melhorias. Acho que falta uma rima lá no início e algo menos piegas do que "parece que foi ontem". Especialmente, ele merecia um título diferente. Essa coisa de o título ser igual ao primeiro verso é muito padrão-automático-do-word. Mas minhas mãos estão geladas e os dedinhos finos da criatividade parecem tem congelado junto. Se alguém pensar em algo melhor, agradeço. Agora chega, acho que estou tendo outra idéia. Bjins

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Blefe

Eu tento disfarçar
pra expurgar minha culpa,
mas a verdade,
verdade verdadeira,
é a seguinte:

Eu sou uma chata.

Uma chata cheia de manias
Irritante
Adoro desculpas do existir,
coleciono palavras,
mimetizo escritos,
sinto em melodias,
e gosto de lilás.

Aliás, é a minha cor

Todo mundo tem uma cor
(ou pelo menos deveria),
aquela da qual sentimos ciúmes
e que só se empresta a quem se ama

A minha é essa, lilás

É...
Sou mesmo uma chata,
não nego.

Mas
se você quiser
eu lhe empresto agora
todo o meu lilás,
sem nem pestanejar.
todinho.

Aceita?


------------------------------------------------------


Esse texto foi livremente inspirado em versos de uma poesia da Fernanda Youg, que estou com preguiça de transcrever (e não tem nome e nem número de página pra que eu possa citar). Daí, catei no google e o encontrei postado em um blog, no dia 23 de outubro de 2007. O link é esse, pra quem quiser ver: http://teclasdecomputador.blogspot.com/2007_10_01_archive.html Não tive tempo de ler muito, mas o blog é bom, deu pra perceber em uma olhada rápida pelos textos. Quem tiver mais tempo do que eu, pode ler, aposto que vale a pena.
Dentro em breve vou publicar outro post cheio de versos da Young. É que acabei de ler o livro de poemas dela e estou impregnada pelas idéias (nesses casos o contágio é uma coisa boa). Pena que não posso me entregar ao teclado agora. Não agora. Mas daqui a pouco as palavras não me escapam, nem que elas tentem! Vou caçá-las, com unhas e dentes, sem possibilidade de escapatória! Mas daqui a pouco.... agora tenho que ir.
Beijos a tod@s que ainda têm coragem de passar por aqui!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Manuscrito

Quando a saudade aperta
(sem dó ou piedade
como um temporal inescrupuloso
que cai inundando a cidade)
arrumo abrigo em tuas palavras
antigas
amigas
amantes

em teus escritos encontro proteção
e já não há vento,
relâmpago ou trovão
no teu ritmo, em tua melodia,
decifro teu universo particular
e apago qualquer gota de solidão

sei de cor cada verso
teu coração
decorado com tua caligrafia

No livro de achados e perdidos da vida
lá estás
letra a letra
comigo em toda rima
ao meu lado em cada linha
na de partida
na de chegada
e ao longo do caminho

e o que faço com tanta nostalgia?
Cada lágrima agridoce
verte uma poesia
sem atenção à rima
à métrica e à razão

O que inspiro
não é ar
O que me inspira
é sua alma

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Cuidados

Não me venha com promessas vãs
não invente que sem mim não vive
que meu sorriso ilumina o mundo
que eu sou seu talismã...

Não me apareça com rimas prontas
clichês de comédia romântica
histórias de almas gêmeas
e todo esse amor de faz-de-conta...

Não diga que me ama...
em menos de uma semana,
não há jeito de eu acreditar!
Não diga coisa que você não sente
Não tente se adequar aos meus sonhos
não exagere no desejo de agradar!
Nunca diga nada sem significado
me assusta quem mal sabe que mente...
Por isso, falar muito não adianta
palavras só tocam a superfície
atos é que são provas
o melhor jeito de amar...

Se você vier muito afobado
achando que é meu dono
e ficando logo grudado
eu fujo!
Rapidinho me afasto!

Tanta urgência desmedida
só pode ser carência
loucura, obsessão...

Amor de verdade vem aos poucos
precisa ser conquistado
cultivado,
aprimorado...

Pra ser meu príncipe encantado
primeiro tenho que me sentir
sua princesa encantadora!


Posso parecer fria
insensível, cínica e desinteressada...
Mas não se iluda:
eu sou é cuidadosa, precavida
e, acima de tudo,

Frágil.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Já era, já foi!

Quando você me cativou
Pôs as estrelas aos meus pés
Pintou nos meus dias as suas cores
Prometendo-me um futuro encantado

Mas você partiu e me quebrou
Fez da minha sorte revés
Transformou a vida em dores,
Em um inverno muito demorado...

Até que um belo dia você voltou
dizendo trazer de saturno os anéis,
querendo enfeitar o mundo com flores...
Como se nada houvesse mudado!

Mas agora eu sou outra, não notou?
Achei que era pra sempre, mas, ao invés,
Vi que o tempo cura tudo, até amores!
E fortalece um coração abandonado...

sábado, 12 de janeiro de 2008

Nós dois, amantes futuros

Minha alma rima com a sua
mesmo nos versos mais incomuns...
como em canções de band-aids no calcanhar,
de rapazes latino-americanos sem dinheiro no bolso,
ou de escafandristas que virão explorar...

Nossas vidas é que destoam,
em tempo, espaço e harmonia
como o vozerão do locutor da rádio,
incompatível com sua figura franzina.

Mas não se afobe não, que nada é pra já...
é só um problema de ritmo,
nada impossível de se consertar!
(mesmo porque, toda dificuldade é relativa:
é bem mais fácil, por exemplo,
do que fazer a paz no Oriente reinar)

Em outra analogia musical,
nós dois somos como o jazz:
cheios de improvisos...
ou, numa mais visual,
um quadro alegre do Romero Brito.

O fato é que,
ainda que desencontrados,
somos arte em todos os sentidos.


..................................................

É válido escrever as impressões sobre meus próprios escritos? Pensei um pouco nisso (menos de meio minuto, imagino) e conclui que sim, pelo menos pra referências futuras. Mesmo pq, aquele bonito plano de só escrever sem esses comentários pessoais já foi pro espaço mesmo! Então, achei esse textinho muito simpático, mas acho que falta alguma coisa. Ou talvez sobre, não sei. Pode ser que funcionasse melhor com rimas de verdade ou com alguma mensagem melhor elaborada... enfim, escrevi agorinha, sem preparativos ou pós-produção, surgido do nada, de repente mesmo, nem sei sob qual inspiração. Tendo em vista tais condições, eu até gostei. Se alguém tiver sugestões, eu aceito. Todo texto meu é uma obra aberta. Quer dizer, quase todo. De alguns eu quase tenho ciúmes, mas são raras exceções.
Então tchau.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

o peso, a leveza e o amor nisso tudo...

Leve o suficiente
para não ser um fardo;
Pesado o bastante
para não se esvair no ar

....................................................................

Os calendários marcam um novo ano, mas as mudanças param por aí. Dessa vez não perdi meu tempo fazendo resoluções de ano novo, das quais certamente iria me esquecer em poucas semanas... é preferível perder tempo com coisas pouco menos improdutivas. Já as coisas produtivas andam fora de meu alcance: o tal hiato criativo continua tomando conta de mim. Com tamanha falta de inspiração, não tenho escrito nem comentários nos blogs preferidos. Mas hoje resolvi me esforçar a escrever algo e, como o resultado até agora não está muito bom, vou parar logo e visitar os blogs alheios - que certamente hão de me inspirar a comentar e, quem sabe em pouco tempo, também a produzir novos escritos próprios e publicáveis.

Ah, "O peso, a leveza e o amor nisso tudo" foi apenas uma anotação feita em um caderninho na época em que li "A Insustentável Leveza do Ser", do Milan Kundera.

Até!

domingo, 25 de novembro de 2007

Blues

Tem uma mão espremendo o meu coração, fazendo lágrimas aparecerem nos olhos e um nó na garganta. É uma vontade de chorar sem motivo que me faz sentir saudades, e não o contrário, como é de costume. Bem, pelo menos eu acho que o normal é você sentir saudades e por isso ter vontade de chorar. Mas comigo não: primeiro veio a vontade de chorar, depois chegaram as saudades. Abro uma garrafa de vinho tinto suave e me sirvo de uma taça. Ligo o som, escolho um cd de blues, ponho pra tocar não muito alto. Apago as luzes e acendo umas velas. É madrugada, a cidade inteira dorme. Tudo o que vem lá de fora é silêncio e escuridão, combina bem com o meu estado de espírito. Sento-me em uma cadeira reclinada, absorvendo a música e sorvendo o vinho. Deixo-me levar pela melodia e pela melancolia, sentindo o coração cada vez mais espremido, nodando a garganta e alagando os olhos. Minha cabeça flutua. A tristeza pura é leve, vazia. Não é um bom momento para racionalizar, mas mesmo assim tento identificar minhas emoções. Há saudade, um toque de amargura, um bocado de frustração e a tristeza sem motivo. Começou com um sonho do qual não me lembro: o sonho se foi, mas a sensação ficou. Sensação de impotência, de falta, de blues. A tal da saudade. A solidão da madrugada enaltecida pelo vinho, brilhando pela escuridão. Desisto de resistir e fecho os olhos. Deixo a canção penetrar pelos poros e as lágrimas saírem sem controle. Choro como uma criança assustada, sozinha e indefesa. O tempo passa sem que eu perceba, abro os olhos. Uma das velas se apagou. Levanto da cadeira, paro a música, apago as outras velas. A vontade de chorar passou, mas a tristeza indefinida continua aqui. Deito-me na cama, abraçando um travesseiro, abraçada pela saudade. Fecho os olhos, os blues ainda tocam dentro de mim. Deixo os pensamentos flutuarem até o mundo dos sonhos. Talvez tudo mude com a manhã.
Só me resta a esperança.

domingo, 18 de novembro de 2007

Solidão

Passo dias olhando para o teto,
com estrelas de plástico
que eu mesma pendurei.
Lá fora, passam as nuvens,
passa o sol,
passa a chuva,
passa a lua,
passam as estrelas de verdade...
Lá fora tem gente gritando,
carros correndo
e buzinas tocando.

Aqui dentro, toca Jazz e Blues.
Um saxofone chora,
um piano vibra,
corações dançam
e espíritos flutuam.
Eu apenas ouço
e deixo meu espírito se levar
em um mar de emoções alheias,
que encharcam as minhas próprias,
sem conseguir me lavar.

Leio palavras que nunca foram minhas,
nem foram escritas para mim,
mas não me importo,
mal percebo.
Eu as tomo para mim
no momento em que tocam os olhos
e se inscrevem na alma.
Palavras que não formam o mundo,
que nem sobreviveriam à realidade,
mas que estão salvas aqui,
dentro dos livros,
dentro de mim.

Coleciono imagens que nunca vi
em uma galeria imaginária,
junto a imagens que até vivi,
ou quase,
repintadas com as cores da memória.
Lembro de gente que eu inventei,
reinvento gente que conheci,
conheço gente de que nem me lembro...

Tudo acontece sob esse teto que me olha
com suas estrelas fluorescentes,
essa música que me ouve
sem piano e saxofone,
essas palavras que me lêem
sem mentiras e sem verdades,
e essas imagens que me pintam
com cores que nem existem...


-----------------------------------------

Não abandonei o blog, mas acho que estou em um hiato criativo. O que é quase estranho, considerando a introspecção que me tomou nessas últimas semanas... Estou atolada em coisas pra fazer (como sempre, aliás) e só passei aqui para mostrar que ainda vivo. O texto talvez não faça muito sentido, escrevi agora em, sei lá, cinco ou dez minutos (o tempo passa em um ritmo estranho no meu mundo). Não pensei muito sobre ele, não escolhi muito as palavras. Está tão desleixado e avoado quanto eu tenho estado. Talvez outro dia eu tente melhorá-lo. Eu tinha feito um acordo comigo mesma de não dar explicações e nem escrever a esmo quando comecei o blog neste endereço, mas não dá pra evitar. Tudo o que tenho escrito recentemente são conversas informais com o papel e, tendo em vista o "hiato criativo", o acordo meio que foi para o espaço. Mas por enquanto chega.
Tchau.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Ressaca

espaçoE lá estava ela, caminhando trôpega de volta para casa. Podia ser culpa do sapato alto na rua sem asfalto, ou até mesmo da fome que começava a devorar as paredes do estômago, mas o fato é que ela andava bêbada sem ter ingerido uma gota de álcool sequer. No caminho, pensamentos desvairados, desconexos, diálogos imaginários descuidados, preocupações do dia que se passou e dos que ainda estavam por vir. Nunca mais passaria um dia inteiro em jejum, ela jurava para si mesma, como já havia feito centenas de outras vezes, sem nunca cumprir. Ele iria passar em sua casa esta noite, para enfim colocar os pingos nos is, ele prometeu. Verdade que não era a primeira vez que prometia isso. Assim como ela, ele também tinha uma sacola cheia de promessas não cumpridas. Mas desta vez ela acreditava que seria diferente. Antes de sair do trabalho, ela passou no supermercado e fez compras para um jantar a dois, onde, enfim, os is ganhariam pingos. Talvez viesse daí a sensação de ressaca. Sua rua parecia mais longa do que nunca, e seus passos, mais tortos. Sua vida inteira parecia torta, bêbada. A vida bêbada de uma pessoa sóbria. Talvez um pouco de álcool curasse tudo. Não dizem que o melhor remédio para ressaca é mais um gole? Ou um copo inteiro? Além do que, o álcool desinfeta, e ela precisava disso: desinfetante para a alma. Uma vida na ressaca por não ser vivida, culpa dos malditos is sem pingos.
espaçoUm cigarro. Talvez um cigarro ajudasse. Dizem que cigarro combate a ansiedade. Um barzinho, “um maço de cigarros, por favor” “Qual?” Qual? Já decidira comprar cigarros, agora ainda tinha que escolher um? Pediu um Marlboro, automaticamente. Era o cigarro que ele fumava, e ele raramente ficava ansioso. Deveria funcionar. Seguiu seu caminho torto, com passos tortos, até enfim chegar em casa. Abriu a porta, entrou em casa, acendeu as luzes. Olhou para a sala vazia com estranhamento. Não parecia a mesma sala que deixara de manhã. Foi até a cozinha largar as compras. Cozinha vazia, limpa e arrumada. Seguiu para o quarto, onde deixou a bolsa. As coisas nunca ficavam tão arrumadas com ele em casa. E ela gostava da casa arrumada. Mas temia a casa vazia. O silêncio a aterrorizava, ligou o rádio. Sentiu novamente a tal da ressaca, lembrou-se dos cigarros. Foi até a cozinha em busca de fósforos. Pegou a caixinha cheia dentro do armário, tirou um palito e o riscou. Lembrou-se de como ele riscava o fósforo ao contrário, e de quantos isqueiros ela deu a ele, que perdeu. Nossa, foram tantos… “Ai!” Voltou do passado com a chama quente perto do dedo. Apagou o fósforo num reflexo. Pegou o maço de cigarros, abriu e puxou um, esforçando-se para não reacender mais lembranças. Acendeu o cigarro, catou um cinzeiro – lembrança dele – e sentou-se. A última vez que fumara na vida foi no início da faculdade. Nossa, há quanto tempo… Tragou o cigarro, sentiu a fumaça entrando em seus pulmões e lembrou-se das amigas do colégio e de seu primeiro cigarro. Soltou a fumaça e ficou quase orgulhosa ao constatar que depois de vários anos sem fumar, não engasgara. Sentiu um alívio imediato. Tanto tempo sem um cigarro e esta continuava sendo uma prática válvula de escape. Continuou sentada, divagando, enquanto a brasa consumia o cigarro e as lembranças consumiam sua alma.
espaçoPouco antes de chegar no filtro, apagou o cigarro. A fome voltou a devorar as paredes do estômago. Sentiu dor de cabeça e tontura, achou melhor fazer a janta, ele chegaria a qualquer momento. Preparou a comida com cuidado e dedicação. Sabia que o tempero estava perfeito, do jeitinho que ele gostava. O tempo passava e nada da campainha tocar. A fome gritava. Decidiu comer logo, esquentaria tudo quando ele chegasse, e até comeria um pouquinho novamente, só para acompanhá-lo. A dor de cabeça passou, mas o sentimento de ressaca continuava. Já estava ficando tarde, onde ele estava? Os is precisavam dos pingos, estavam irriquietos como crianças sem pais. Sentou-se para esperar. “Será que aconteceu alguma coisa? Por que ele não telefona? Também não vou ligar, é melhor”. O tempo passava, implacável. Ela, escorregando pelo sofá, tentando manter-se atenta, perdeu a briga para o cansaço e caiu no sono.
espaçoAcordou com o sol invadindo a sala e acariciando seu rosto. Já era quase hora de ir para o trabalho. Mais uma espera em vão. Mais uma promessa violada, de um amor que tanto prometeu e nunca cumpriu. Levantou-se e foi para o banho, arrumar-se para mais um dia de ressaca.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

sonhos

Sonhei que dormia,
enquanto o dia se esvaia em uma tarde cinza de céu nublado.
Revoltas, as águas do mar batiam na areia pedindo para eu acordar.
Mas não atendi,
continuei a dormir, sonhando.

Sonhei que sonhava,
com o dia amanhecendo em uma bela manhã de céu ensolarado.
Nas águas calmas do mar, eu velejava
rumo ao desconhecido distante, iniciando uma grande aventura...
até que então, acordava.

Sonhei que acordava,
numa noite morna e estrelada, com meu amor ao meu lado,
sem mar, sem areia, sem barco,
mas no mais romântico dos momentos…

Acordei.
Sozinha, em um quarto escuro e frio, com o mortal silêncio da madrugada.
Olhei pela janela e, ao contemplar a lua cheia e prateada,
já não me sabia mais se dormindo ou sonhando ou acordada…
Sabia-me apenas viva, desejando viver meus sonhos e realidades,
mesmo que paralelas,
mas infinitas em possibilidades…

(06/07/2002)

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Distante

A distância diz tanto!
tudo é dito e desdito,
então edito, dia-a-dia,
um breve acalanto

nessa melodia melancólica
de sincero desencanto,
prezo o instante – preso, insistente –
em que ansiosamente, mas sem espanto,
assisto às suas asas (assaz em vão)
alçando longos vôos de déu em déu...
enquanto me espalho em pranto,
devaneios e desatinos e desisto:
já nem te quero tanto!

sábado, 13 de outubro de 2007

A vida...

Ah, a vida!

Este joguinho de gato-e-rato que dá tanto gosto
quanto desgosto de se brincar,
que nos deixa felizes, arrasados,
lavados, amarrotados,
e até passados,
tudo de uma vez...

que nos traz lágrimas atrás de sorrisos,
atrás de esperanças, atrás de desesperos,
atrás de recomeços, atrás de inconclusões...

uma seqüência aleatória
de escolhas erradas,
mal-entendidos,
desentendidos
e parcos entendimentos.

Vidinha de medos,
inseguranças,
incertezas,
absolutas ou parciais,
raramente imparciais.

ela, que é madrinha sem ser fada,
que amarga ao adoçar,
às vezes erra na mão
e azeda,
mas recicla.

Ah, a vida...
seja em verso ou prosa,
romance, drama ou terror,
forró, MPB, rock ou funk...
seja tudo e ao mesmo tempo,
ou nada e nunca...

Quem me dera viver um sonho a cada dez vidas que sonho!

domingo, 7 de outubro de 2007

Purgatório

A madrugada estava triste como sua alma. A vida lhe parecia um erro. Tanto já havia chorado, gritado e se desesperado que mal lhe restavam forças para respirar. Tudo que havia feito, que havia deixado de fazer, que havia dito e ouvido fazia a cabeça girar. A última discussão ecoava ininterruptamente em seus pensamentos. Cada insulto e agressão parecia cortar a pele, e um súbito sentimento de culpa sufocava o coração. Tirou toda a roupa despindo-se de seus problemas, um a um, peça por peça. Ligou o chuveiro e deixou a água gelada cair sobre a cabeça. Sentiu o choque térmico e tremeu, mas não recuou. Esvaziou a mente. Parou de pensar para simplesmente sentir cada gota que molhava seu corpo. Ensaboou-se delicada e milimetricamente, como se aquele fosse o último e o primeiro momento de sua vida. Viu descer pelo ralo toda a sujeira, dor, culpa e tristeza que antes carregava. Assim foi seu purgatório. Saiu do banho purificada, e vendo os primeiros raios de sol iluminarem e aquecerem a cidade, teve a certeza absoluta de que tudo ficaria bem.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Des-

percorro descaminhos,
desconstruo idéias,
conforto-me no desconsolo.

desfaleço procurando,
desencontro-me.
uma vida desfeita em certezas.

descabelada,
desavisada,
desmotivada.

desfocadas, minhas lentes
mostram apenas o deserto.

destôo da palheta de cores,
não faço por desmerecer.
sou um amontoado de ilusões
desmontadas

desperto meu cinismo,
despeço-me do romantismo...
(despreocupe-se, después ele volta.
não há desalmado capaz
de desterra-lo para sempre!)

destemida, caço tigres,
desarmo bombas,
desvendo mistérios
e vendo tudo por aí,
despercebida...

aí eu me desminto:
minha vida é metafórica.
e desaforada.