Sonhei que dormia,
o dia se esvaia em uma tarde cinza de céu nublado.
Revoltas, as águas do mar batiam na areia me pedindo pra acordar.
Mas não atendi,
continuei a dormir, sonhando.
Sonhei que sonhava,
o dia amanhecendo em uma bela manhã de céu ensolarado.
Nas águas calmas do mar, eu velejava
rumo ao desconhecido distante, uma nova aventura...
até que então, acordava.
Sonhei que acordava,
uma noite morna e estrelada, o amor ao meu lado,
sem mar, sem areia, sem barco,
mas quem precisa dessas coisas?
Acordei.
só
o quarto escuro e frio,
o mortal silêncio da madrugada.
Pela janela, contemplando a lua cheia e prateada,
já não me sabia mais
se dormindo
ou sonhando
ou acordada…
Querendo viver meus sonhos e realidades,
mesmo que paralelas,
mas infinitas em possibilidades…
(06/07/2002)
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007
sábado, 13 de outubro de 2007
Ah!
Ah, a vida!
Este joguinho de gato-e-rato
que dá tanto gosto
quanto desgosto de se brincar,
que nos deixa felizes, arrasados,
lavados, amarrotados,
e até passados,
tudo de uma vez...
que nos traz lágrimas atrás de sorrisos,
atrás de esperanças, atrás de desesperos,
atrás de recomeços, atrás de inconclusões...
uma seqüência aleatória
de escolhas erradas,
mal-entendidos,
desentendidos
e parcos entendimentos.
Vidinha de medos,
inseguranças,
incertezas,
absolutas ou parciais,
raramente imparciais.
ela, que é madrinha sem ser fada,
que amarga ao adoçar,
às vezes erra na mão
e azeda,
mas recicla.
Ah, a vida...
seja em verso ou prosa,
romance, drama ou terror,
forró, MPB, rock ou funk...
seja tudo e ao mesmo tempo,
ou nada e nunca...
Quem me dera viver um sonho a cada dez vidas que sonho!
Este joguinho de gato-e-rato
que dá tanto gosto
quanto desgosto de se brincar,
que nos deixa felizes, arrasados,
lavados, amarrotados,
e até passados,
tudo de uma vez...
que nos traz lágrimas atrás de sorrisos,
atrás de esperanças, atrás de desesperos,
atrás de recomeços, atrás de inconclusões...
uma seqüência aleatória
de escolhas erradas,
mal-entendidos,
desentendidos
e parcos entendimentos.
Vidinha de medos,
inseguranças,
incertezas,
absolutas ou parciais,
raramente imparciais.
ela, que é madrinha sem ser fada,
que amarga ao adoçar,
às vezes erra na mão
e azeda,
mas recicla.
Ah, a vida...
seja em verso ou prosa,
romance, drama ou terror,
forró, MPB, rock ou funk...
seja tudo e ao mesmo tempo,
ou nada e nunca...
Quem me dera viver um sonho a cada dez vidas que sonho!
terça-feira, 17 de julho de 2007
reerrar
"give me reason, but don't give me choice
cause I will just make the same mistakes again"
(James Blunt)
Parece que tudo o que passou
ainda nem aconteceu
Minha vida roda ao contrário
Giro em torno do meu próprio mundo,
à deriva no universo...
Eu sou o que vem antes do passado,
a memória de um peixe.
Vivo de recomeços,
sempre há um novo erro a se cometer.
E os nossos inícios são sempre inéditos
- novos erros, eu diria -
novos inícios pro que nunca teve fim.
(dez. 2005)
quinta-feira, 12 de julho de 2007
romantismo de uma cética
Rio de Janeiro, 3 de novembro de 2002.
Querido espelho (já explico),
Havia uma tormenta em minha mente, então decidi escrever para me aliviar um pouco das idéias que me perseguiam. Como você bem sabe, acredito que as idéias e os pensamentos só tomam forma e podem ser melhor analisados ao ganhar o mundo. Por isso, trago-lhe meus pensamentos, para que você me ajude a analisá-los e desvendá-los. Ninguém melhor do que você para ajudar-me nessa árdua tarefa…
Havia uma tormenta em minha mente, então decidi escrever para me aliviar um pouco das idéias que me perseguiam. Como você bem sabe, acredito que as idéias e os pensamentos só tomam forma e podem ser melhor analisados ao ganhar o mundo. Por isso, trago-lhe meus pensamentos, para que você me ajude a analisá-los e desvendá-los. Ninguém melhor do que você para ajudar-me nessa árdua tarefa…
Então… depois desse primeiro parágrafo explicando o porquê de tão inusitada carta, posso, enfim, ir ao assunto que nos trouxe aqui: eu pensava em você. Ou melhor, em mim. Ou, mais exatamente, no amor. Calma que tudo é justificável.
Antes de lhe conhecer, não acreditava no amor. E talvez ainda não acredite. Bem, certamente não acredito no amor da forma em que ele é exposto na mídia. Não acredito na impossibilidade de uma pessoa viver sem a outra. Mas acredito sim que uma pessoa não queira viver sem a outra. Esse é o meu caso. Pelo menos por enquanto (Não acredito no perpétuo, mas adoraria que você me provasse errada).
Drummond escreveu: “o que pode uma criatura senão, entre outras criaturas, amar?”. Agora começo a entendê-lo. E começo a entendê-lo não porque amo (pois nem sei se amo), mas porque fiquei pensando nos mecanismos dos quais o coração se utiliza para escolher a quem amar. Renato Russo cantou “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”. Com todo o respeito, não acredito na aleatoriedade do coração. Acho que, se gostamos, gostamos por um motivo, e se amamos, amamos por um motivo ainda melhor.
Prometo que esta será minha última citação, e, como não poderia deixar de ser, de um dos nossos poetas favoritos, Mário Quintana. “O amor é um beijo no espelho…”. Essa pequena frase norteou todo o meu pensamento. Escolhemos para amar àquele que mais se parece conosco: amamos quem tem em si o que gostamos em nós, ou o que gostaríamos de ter. Amar é enxergar-se no outro. Você é assim. É o que eu sou e o que eu gostaria de ser. É meu espelho.
Sei que havia prometido, mas outra (e agora sim última) citação se faz necessária… (nada como subverter minhas próprias regras) “Amar é admirar com o coração. Admirar é amar com o cérebro” (Theophile Gautier).
Perdoe-me se não pareço tão romântica, se a minha visão de amor é um tanto narcisista e egoísta, mas cada um é romântico a seu jeito. Eu sou ao meu. Talvez ao nosso.
Com amor e admiração,
LM
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