Saudade é quando
a gente sente tanto
a presença da ausência
que chega a ficar
com gosto de sal
na boca.
...:...
Paciência
é a ciência
de andar
com passos
de bebê
...:...
Esperança
é quando
a espera dança
ao som de Elis,
de longo azul celeste,
feito criança
sábado, 29 de setembro de 2007
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Implicância
Pego linha e agulha
pra me costurar em você...
Você já chega com a tesoura!
Perco então o fio da meada
e me enrolo.
Peço ajuda à desatadora de nós,
nossa senhora,
que me ensine a desatar-nos!
Começo a tecer uma colcha
de momentos.
Espalho as lembranças,
entrelaço-as cuidadosamente...
Depois de muito trabalho,
estendo a colcha no chão
pra você passar.
Mas você voa e nem vê!
Desisto,
não quero mais saber!
Dobro nosso memorial
com desvelo revoltado
e o acomodo em um baú,
que tranco a cadeado.
A chave, jogo fora...
E você a pega no ar!
pra me costurar em você...
Você já chega com a tesoura!
Perco então o fio da meada
e me enrolo.
Peço ajuda à desatadora de nós,
nossa senhora,
que me ensine a desatar-nos!
Começo a tecer uma colcha
de momentos.
Espalho as lembranças,
entrelaço-as cuidadosamente...
Depois de muito trabalho,
estendo a colcha no chão
pra você passar.
Mas você voa e nem vê!
Desisto,
não quero mais saber!
Dobro nosso memorial
com desvelo revoltado
e o acomodo em um baú,
que tranco a cadeado.
A chave, jogo fora...
E você a pega no ar!
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Assim
Se eu não sou exatamente
o que você queria,
paciência!
Você também não é
quem eu imaginava
e o quero, mesmo assim,
assim mesmo.
o que você queria,
paciência!
Você também não é
quem eu imaginava
e o quero, mesmo assim,
assim mesmo.
“se você for
exatamente como imagino
igualzinho aos meus sonhos
eu vou embora
detesto desmancha-prazeres”
(Martha Medeiros)
sábado, 15 de setembro de 2007
flor da pele
Pouso a mão sobre seu rosto,
quase sem tocá-lo.
Os dedos tremem, aflitos,
mapeando cada detalhe,
estampando em mim
a textura da sua pele
Meus sentidos se afloram
sentindo os seus,
Vagando nos versos derramados
pelo compasso da sua respiração
Enquanto dorme indefeso,
despetalo-me em alegrias,
maravilhada.
Como um bebê que ainda
não aprendeu a sentir medo.
quase sem tocá-lo.
Os dedos tremem, aflitos,
mapeando cada detalhe,
estampando em mim
a textura da sua pele
Meus sentidos se afloram
sentindo os seus,
Vagando nos versos derramados
pelo compasso da sua respiração
Enquanto dorme indefeso,
despetalo-me em alegrias,
maravilhada.
Como um bebê que ainda
não aprendeu a sentir medo.
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Tautologia
Meu corpo inteiro
sorri
ao vê-lo
Palavras se abraçam
ao pensar
em você
Sou repetitiva,
quase obcecada
Da boca pra dentro,
só falo em você
Faço versos sem rimas
que nunca tocarão
seus olhos
Tudo o que calo é da boca pra fora.
sorri
ao vê-lo
Palavras se abraçam
ao pensar
em você
Sou repetitiva,
quase obcecada
Da boca pra dentro,
só falo em você
Faço versos sem rimas
que nunca tocarão
seus olhos
Tudo o que calo é da boca pra fora.
sábado, 8 de setembro de 2007
Endless
Faço muitos planos
que descem pelo ralo
e se perdem no esgoto
Então improviso
Tenho uns surtos
de inspiração,
outros,
psicóticos
com dedos sapateando o teclado,
escrevo coisas sem nexo
tento (em vão) fazer poesia do cotidiano
e viver as palavras que brotam de mim
...
e agora, o que dizer?
como termino?
Sei lá!
Eu mesma sou sem fim...
que descem pelo ralo
e se perdem no esgoto
Então improviso
Tenho uns surtos
de inspiração,
outros,
psicóticos
com dedos sapateando o teclado,
escrevo coisas sem nexo
tento (em vão) fazer poesia do cotidiano
e viver as palavras que brotam de mim
...
e agora, o que dizer?
como termino?
Sei lá!
Eu mesma sou sem fim...
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Tarja Preta
Às vezes eu tenho certeza de que, se eu conseguisse acabar com meus amigos imaginários, ia descobrir que um dos dois não existe: o mundo ou eu.
domingo, 26 de agosto de 2007
Madrugada
Ausência
de corpo presente
e copo vazio
Vazando
Deixo-me ir
Calo o silêncio
com sons
que consolam
o amanhecer
de corpo presente
e copo vazio
Vazando
Deixo-me ir
Calo o silêncio
com sons
que consolam
o amanhecer
sábado, 18 de agosto de 2007
Abrigo
Uma dança,
um descuido,
mero acaso.
CD do Chico,
passos suaves,
um abraço.
Momentos assim são leves,
como penas
suspensas no ar
por um sopro,
um suspiro breve...
De repente
um beijo calado,
colado,
que se repete
entre vãos,
cheio de mãos...
Como a brisa
varre as folhas secas
no outono,
eu te sigo,
passo a passo,
passando a limpo
um desejo desvairado
No fim, peço apenas
que leve consigo
meu riso rasgado;
que eu trago comigo
seus olhos
em meus sonhos
mais ousados.
um descuido,
mero acaso.
CD do Chico,
passos suaves,
um abraço.
Momentos assim são leves,
como penas
suspensas no ar
por um sopro,
um suspiro breve...
De repente
um beijo calado,
colado,
que se repete
entre vãos,
cheio de mãos...
Como a brisa
varre as folhas secas
no outono,
eu te sigo,
passo a passo,
passando a limpo
um desejo desvairado
No fim, peço apenas
que leve consigo
meu riso rasgado;
que eu trago comigo
seus olhos
em meus sonhos
mais ousados.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
sábado, 11 de agosto de 2007
Partitura
Eu dei a partida
Ou será que foi você?
Não importa,
eu invento,
fui eu.
Caixinha por caixinha,
construí um monumento,
uma ode à surpresa,
ao acaso e ao momento.
Tive que ir,
sem querer,
insegura,
segurando sonhos
e juras.
Quando voltei
você me partiu.
Num verso, fiquei.
Revoltada,
parti.
Mas aí...
O vento sopra uma palavra
danadinha e safada,
que chega cabriolante,
repousa sobre meus ombros,
toma fôlego... e salta!
Uma vez,
duas, três,
até alcançar os ouvidos:
es pe ran ça.
(Esperança é quando
a espera dança
ao som de Elis,
de longo azul celeste,
feito criança)
Com copo de whisky na mão
e um band-aid no calcanhar,
alego insanidade
(em tão tenra idade!)
e revolto ao encanto,
frente e verso,
no meu canto de reverso.
Ou será que foi você?
Não importa,
eu invento,
fui eu.
Caixinha por caixinha,
construí um monumento,
uma ode à surpresa,
ao acaso e ao momento.
Tive que ir,
sem querer,
insegura,
segurando sonhos
e juras.
Quando voltei
você me partiu.
Num verso, fiquei.
Revoltada,
parti.
Mas aí...
O vento sopra uma palavra
danadinha e safada,
que chega cabriolante,
repousa sobre meus ombros,
toma fôlego... e salta!
Uma vez,
duas, três,
até alcançar os ouvidos:
es pe ran ça.
(Esperança é quando
a espera dança
ao som de Elis,
de longo azul celeste,
feito criança)
Com copo de whisky na mão
e um band-aid no calcanhar,
alego insanidade
(em tão tenra idade!)
e revolto ao encanto,
frente e verso,
no meu canto de reverso.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
amarelo-memória
As malas, você levou...
Mas as lembranças ficaram,
no exato lugar onde você
esparramou.
Não passou de um mal-entendido,
hoje sei
Tudo foi uma invenção minha,
desta memória sublime,
deste jogo de me encontrar.
Sabe,
tem gente que vai ao analista,
psicólogo, psiquiatra ou
ao programa da Márcia
Não eu
Eu escrevo
mentiras, ficção
às vezes, até verdades,
por que não?
É sempre sobre mim
Estou convencida:
(muito convencida)
se o mundo não gira ao meu redor,
é porque errou a rota.
Então, não se iluda, tolinho.
Quando escrevo sobre você,
é de mim que estou falando.
E se você não está nem aí,
nem aqui,
nem preciso dizer quem se enganou.
Não adianta voltar,
refazer as malas e implorar...
Aquelas lembranças que você trocou
por um sofá,
não passam de fotos amareladas,
linhas maltraçadas,
e palavras até bem intencionadas...
mas cinzas
de uma chama
que não chama mais ninguém...
Mas as lembranças ficaram,
no exato lugar onde você
esparramou.
Não passou de um mal-entendido,
hoje sei
Tudo foi uma invenção minha,
desta memória sublime,
deste jogo de me encontrar.
Sabe,
tem gente que vai ao analista,
psicólogo, psiquiatra ou
ao programa da Márcia
Não eu
Eu escrevo
mentiras, ficção
às vezes, até verdades,
por que não?
É sempre sobre mim
Estou convencida:
(muito convencida)
se o mundo não gira ao meu redor,
é porque errou a rota.
Então, não se iluda, tolinho.
Quando escrevo sobre você,
é de mim que estou falando.
E se você não está nem aí,
nem aqui,
nem preciso dizer quem se enganou.
Não adianta voltar,
refazer as malas e implorar...
Aquelas lembranças que você trocou
por um sofá,
não passam de fotos amareladas,
linhas maltraçadas,
e palavras até bem intencionadas...
mas cinzas
de uma chama
que não chama mais ninguém...
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Renúncia
você ainda dorme
.................tranquilo
sob meu olhar de chuva
..............................atento
tatuo na veia seus detalhes
(não posso perder para
armadilhas da memória)
para depois recompor
traço a linha
sua poesia
vou-me
(de vez)
((desta vez))
(((de uma vez)))
mas antes
beijo de leve sua boca
(que levo)
sussurro uma jura
em seu sonho
Deixo uma lágrima na saída
......
Adeus
.................tranquilo
sob meu olhar de chuva
..............................atento
tatuo na veia seus detalhes
(não posso perder para
armadilhas da memória)
para depois recompor
traço a linha
sua poesia
vou-me
(de vez)
((desta vez))
(((de uma vez)))
mas antes
beijo de leve sua boca
(que levo)
sussurro uma jura
em seu sonho
Deixo uma lágrima na saída
......
Adeus
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Mentiras sinceras me interessam...
Não quero saber onde foi que errei,
nem como,
nem por que
Não quero críticas severas
sinceras
construtivas?!
Esqueça!
Eu quero é ser mimada!
nem como,
nem por que
Não quero críticas severas
sinceras
construtivas?!
Esqueça!
Eu quero é ser mimada!
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Li b é l u l a s
Abra os olhos
é o amor nascente
dançando
entre os mortos
Fale baixo
não acorde os fantasmas
não traga mau agouro
não macule sua pureza
Mova-se
não o deixe escapar
amores assim
ainda são leves
como libélulas no ar
é o amor nascente
dançando
entre os mortos
Fale baixo
não acorde os fantasmas
não traga mau agouro
não macule sua pureza
Mova-se
não o deixe escapar
amores assim
ainda são leves
como libélulas no ar
sábado, 28 de julho de 2007
Insônia
Mais uma noite
não sei se vou agüentar
Estou cansada,
não tenho sono,
o tempo custa a passar
Faz muito frio
deito com sua ausência,
abraço o travesseiro,
vejo você,
em meio ao silêncio,
meu pulsar frenético
se confunde com uma canção de ninar
sussurrada por sua voz monocórdica
que me embala os sentidos
a distância transforma o passado
em reticências...
mas a vontade o aviva
com cores de Andy Wahrol
vontade de rever
reviver
voltar
revirar
revoltar
a saudade me aquece
no que a memória falha,
o corpo não esquece
velejando entre sonho e lembrança,
sinto sua barba macia,
suas mãos lenientes,
seu cheiro de sabonete barato
você está em seu lugar,
ao meu lado, a minha volta,
envolto
em meus braços
Sem aviso, as luzes da manhã
invadem o quarto
me despertam de um estado hipnótico
e roubam você de mim
tento ignorar,
me concentro,
não quero que você vá
(ainda não...)
só mais um pouco...
mas a luz é mais forte
que a minha escuridão
Mais uma vez o tempo me ultrapassa
me ultraja
e vence
olho ao redor,
procuro por você
não há ninguém além do silêncio
(agora tenho que enfrentar mais um dia,
e mais uma noite,
e não sei se vou agüentar...)
não sei se vou agüentar
Estou cansada,
não tenho sono,
o tempo custa a passar
Faz muito frio
deito com sua ausência,
abraço o travesseiro,
vejo você,
em meio ao silêncio,
meu pulsar frenético
se confunde com uma canção de ninar
sussurrada por sua voz monocórdica
que me embala os sentidos
a distância transforma o passado
em reticências...
mas a vontade o aviva
com cores de Andy Wahrol
vontade de rever
reviver
voltar
revirar
revoltar
a saudade me aquece
no que a memória falha,
o corpo não esquece
velejando entre sonho e lembrança,
sinto sua barba macia,
suas mãos lenientes,
seu cheiro de sabonete barato
você está em seu lugar,
ao meu lado, a minha volta,
envolto
em meus braços
Sem aviso, as luzes da manhã
invadem o quarto
me despertam de um estado hipnótico
e roubam você de mim
tento ignorar,
me concentro,
não quero que você vá
(ainda não...)
só mais um pouco...
mas a luz é mais forte
que a minha escuridão
Mais uma vez o tempo me ultrapassa
me ultraja
e vence
olho ao redor,
procuro por você
não há ninguém além do silêncio
(agora tenho que enfrentar mais um dia,
e mais uma noite,
e não sei se vou agüentar...)
quarta-feira, 25 de julho de 2007
sôdade
Parece que foi há
semanas,
séculos,
milênios...
E foi.
Foi todo esse tempo
e mais um pouco,
todo esse tempo
e um pouco mais.
Todo o tempo do mundo
nunca é suficiente.
e "nunca",
nem é tanto tempo assim.
Não é exagero
É saudade.
semanas,
séculos,
milênios...
E foi.
Foi todo esse tempo
e mais um pouco,
todo esse tempo
e um pouco mais.
Todo o tempo do mundo
nunca é suficiente.
e "nunca",
nem é tanto tempo assim.
Não é exagero
É saudade.
segunda-feira, 23 de julho de 2007
quem tem fome tem pressa
tenho fome de tudo
e tenho pressa
quero tudo pra ontem
e do meu jeito
se o que eu busco
não existe
não desisto
eu invento
com unhas e dentes
eu devoro
sem decoro
indecente
e tenho pressa
quero tudo pra ontem
e do meu jeito
se o que eu busco
não existe
não desisto
eu invento
com unhas e dentes
eu devoro
sem decoro
indecente
sábado, 21 de julho de 2007
chuva
“O coração é um músculo muito elástico”
Woody Allen,
em Hannah e Suas Irmãs
Começou um temporal enquanto voltava para casa.
Lembrei-me outro como este, quando você me deixou
e eu saí andando sem rumo madrugada adentro,
desejando que aquela água lavasse a alma
e levasse embora as lágrimas.
Só mesmo o barulho da chuva chicoteando o chão
pra abafar gritos de tristeza, raiva e incompreensão.
Cheguei a desejar uma pneumonia arrebatadora,
para culpá-lo ou pelo menos justificar tanta tristeza
(talvez a dor física pudesse superar as dores do coração).
Há tempos não pensava em você
(que fez temporal em minha vida)...
Cheguei em casa encharcada
lembrado de outro tempo,
quando te acompanhei a um lugar estranho,
cercada por gente estranha,
apenas seguindo o teu sorriso.
Sozinha
perdida
iludida.
Hoje,
o som da chuva no telhado a fazia parecer mais forte do que era
(o diabo nunca é tão ruim quanto o pintam).
Já quase seca, um impulso leva-me de volta à chuva,
na varanda
As gotas tocam meu rosto,
como o céu devondo as lágrimas derramadas;
uma remição tardia.
De repente, um sorriso,
que vira risada
e explode em gargalhada.
Quem está na chuva é para se molhar.
Mas depois a gente se seca.
Eu me sequei.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Head Over Feet
Não se espante se eu me apaixonar por você
Eu sou assim: me apego fácil
E me encanto, e me iludo, e me apaixono...
Não se espante se for logo por você
e seus cabelos despenteados,
e seus tênis remendados,
e suas desculpas esfarrapadas...
Acontece que, entre trancos e barrancos
e remendos e farrapos...
eu me encontro
e me encanto...
Mas não se espante,
ouvi dizer que é assim mesmo:
O amor despenteia
(como em propaganda de shampoo)
Eu sou assim: me apego fácil
E me encanto, e me iludo, e me apaixono...
Não se espante se for logo por você
e seus cabelos despenteados,
e seus tênis remendados,
e suas desculpas esfarrapadas...
Acontece que, entre trancos e barrancos
e remendos e farrapos...
eu me encontro
e me encanto...
Mas não se espante,
ouvi dizer que é assim mesmo:
O amor despenteia
(como em propaganda de shampoo)
quinta-feira, 19 de julho de 2007
É
É, só pode ser amor, acho que você tem razão. Fico mais feliz ao seu lado. Sou mais eu quando estou com você. Já em sua ausência, sou toda você. Tá certo, você já sabia: só podia ser amor. Mas como foi que eu cheguei à conclusão sozinha? Logo eu que não acreditava em amor? Foi difícil, eu lhe garanto. O processo de aceitação mais lento e gradual pelo qual já passei. Começou com afeição, virou encantamento, seduziu-se com a cumplicidade, confundiu-se com amizade. No meio da fase da acomodação, espantou-se com vontade, necessidade, ciúmes e brutais saudades. Por fim veio à luz. Amor, só pode ser amor... Afeiçãozinha safada aquela, não? E agora, que nós dois sabemos disso, é melhor pararmos de perder tempo, não acha? Então, vamos correndo para o centro da Terra, onde o calor intenso vai conservar nossa chama?
quarta-feira, 18 de julho de 2007
ego
hoje estou cansada
quero 24h de férias
e quero você pra mim,
só para mim
em cada segundo,
quero ser primeira
portanto, desligue o celular,
o orkut, o msn, o canal telepático
tranque o mundo la fora, isole-o
não quero saber de jornal, tv, política,
futebol, religião, economia, vida alheia...
nada que não diga respeito a mim
nada disso interessa
quero atenção exclusiva,
silêncio, carinho, compreensão
quero ser a única no mundo,
no nosso
egocêntrica, egoísta (e ciumenta)
megalomaníaca com poucos recursos
embarque na minha egotrip
só por hoje, fique tranquilo
amanhã tudo volta ao anormal
quero 24h de férias
e quero você pra mim,
só para mim
em cada segundo,
quero ser primeira
portanto, desligue o celular,
o orkut, o msn, o canal telepático
tranque o mundo la fora, isole-o
não quero saber de jornal, tv, política,
futebol, religião, economia, vida alheia...
nada que não diga respeito a mim
nada disso interessa
quero atenção exclusiva,
silêncio, carinho, compreensão
quero ser a única no mundo,
no nosso
egocêntrica, egoísta (e ciumenta)
megalomaníaca com poucos recursos
embarque na minha egotrip
só por hoje, fique tranquilo
amanhã tudo volta ao anormal
terça-feira, 17 de julho de 2007
reerrar
"give me reason, but don't give me choice
cause I will just make the same mistakes again"
(James Blunt)
Parece que tudo o que passou
ainda nem aconteceu
Minha vida roda ao contrário
Giro em torno do meu próprio mundo,
à deriva no universo...
Eu sou o que vem antes do passado,
a memória de um peixe.
Vivo de recomeços,
sempre há um novo erro a se cometer.
E os nossos inícios são sempre inéditos
- novos erros, eu diria -
novos inícios pro que nunca teve fim.
(dez. 2005)
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Soraya
(Para o Bruno)
A primeira vez que parei o mundo foi quando conheci Soraya.
Estava em um congresso, e até então só tinha visto uma foto dela. Foi um amigo em comum que me mostrou a foto, e prometeu que éramos feitos um para o outro. Eu, que estava soltinho e já em liquidação total, acreditei e me apaixonei quase que instantaneamente. Contei os dias até o congresso, quando finalmente conheceria Soraya. Sabia que ela estaria lá, pois ela participava da organização, mas o amigo não pôde ir para nos apresentar. Cansado de esperar por uma intervenção divina, decidi dar uma mãozinha ao destino. Passei horas vasculhando os rostos de todas as moças presentes em busca da figura que vira na foto. Nada. Inconformado, decidi recorrer à mesa de informações. Fui até uma moça com uma prancheta na mão e perguntei por Soraya Campos. A moça, muito solícita, apontou-a para mim. É aquela ali, ó!. Aquela onde? Aquela, bem na frente. Olhei, olhei e não acreditei. Ali, ó, não tá vendo? Aquela de blusa branca e saia jeans.
Foi nesse momento que o mundo parou. Parou por alguns minutos, horas, dias, não sei dizer. O mundo parou no exato tempo de duração da frase "Aquela, de blusa branca e saia jeans". Pode parecer coisa pouca pra você, que não estava lá. Mas "aquela, de blusa branca e saia jeans", é uma frase emblemática na minha vida, que ecoou por todo o mundo durante o tempo em que ele parou. Repetiu-se inúmeras vezes, e eu a ouço até hoje. Em câmera lenta.
"A q u e l a , d e b l u s a b r a n c a e s a i a j e a n s . . ."
Eu tentei fechar os olhos, tapar os ouvidos, abrir um buraco no centro da Terra e me enfiar lá, mas antes que pudesse decidir o que fazer, o mundo voltou a girar.
Bem na minha frente, estavam umas vinte mulheres. Dezenove de preto. Uma de saia jeans e blusa branca. Duas eram lindas, cinco eram bonitinhas e outras doze eram normais. Uma estava de blusa branca e saia jeans.
Ainda a vejo em meus pesadelos.
Sempre de saia jeans e blusa branca.
Acho que aquele "amigo" não gostava muito de mim.
A primeira vez que parei o mundo foi quando conheci Soraya.
Estava em um congresso, e até então só tinha visto uma foto dela. Foi um amigo em comum que me mostrou a foto, e prometeu que éramos feitos um para o outro. Eu, que estava soltinho e já em liquidação total, acreditei e me apaixonei quase que instantaneamente. Contei os dias até o congresso, quando finalmente conheceria Soraya. Sabia que ela estaria lá, pois ela participava da organização, mas o amigo não pôde ir para nos apresentar. Cansado de esperar por uma intervenção divina, decidi dar uma mãozinha ao destino. Passei horas vasculhando os rostos de todas as moças presentes em busca da figura que vira na foto. Nada. Inconformado, decidi recorrer à mesa de informações. Fui até uma moça com uma prancheta na mão e perguntei por Soraya Campos. A moça, muito solícita, apontou-a para mim. É aquela ali, ó!. Aquela onde? Aquela, bem na frente. Olhei, olhei e não acreditei. Ali, ó, não tá vendo? Aquela de blusa branca e saia jeans.
Foi nesse momento que o mundo parou. Parou por alguns minutos, horas, dias, não sei dizer. O mundo parou no exato tempo de duração da frase "Aquela, de blusa branca e saia jeans". Pode parecer coisa pouca pra você, que não estava lá. Mas "aquela, de blusa branca e saia jeans", é uma frase emblemática na minha vida, que ecoou por todo o mundo durante o tempo em que ele parou. Repetiu-se inúmeras vezes, e eu a ouço até hoje. Em câmera lenta.
"A q u e l a , d e b l u s a b r a n c a e s a i a j e a n s . . ."
Eu tentei fechar os olhos, tapar os ouvidos, abrir um buraco no centro da Terra e me enfiar lá, mas antes que pudesse decidir o que fazer, o mundo voltou a girar.
Bem na minha frente, estavam umas vinte mulheres. Dezenove de preto. Uma de saia jeans e blusa branca. Duas eram lindas, cinco eram bonitinhas e outras doze eram normais. Uma estava de blusa branca e saia jeans.
Ainda a vejo em meus pesadelos.
Sempre de saia jeans e blusa branca.
Acho que aquele "amigo" não gostava muito de mim.
"Eu queria ter um lança-chamas
Eu queria ter uma fogueira
Eu queria ter somente um fósforo
Eu queria ter uma vela acessa
Pra queimar Soraia
Pra ver torrar seu couro
Pra deixar somente o osso exposto ao sol
E depois da meia-noite
Soraia vai voltar
Ela vem toda queimada
Se vingar, se vingar
Eu quero ver
Soraia Queimada
Soraia Queimada
Porque Soraia me queimou
Eu queria ácido sulfúrico
E um litro de alcóol tubarão
Eu queria uma tocha iluminada
Pra deixar Soraia igual carvão
E depois da meia-noite
Soraia vai voltar
Ela vem toda queimada
Se vingar, pode vir! ,se vingar.
Eu quero ver
Soraia Queimada
Soraia Queimada
Porque Soraia me queimou
E doeu..."
(Soraia Queimada, do Zeu Britto)
sexta-feira, 13 de julho de 2007
filosofia da mente para o coração
O que a gente sente devia ser o bastante
o que a gente sabe, sem explicação
Mas estamos sempre em busca de conceitos,
lógica, definições, porquês, razão
Pra quê tudo isso?
Sentir é mais difícil do que explicar
não se aprende em livros
Motivos são fáceis de inventar:
basta um pouco de imaginação,
bom senso e boa vontade
Sentidos
Sentir
sem sentido
Fé
Qualia
conhecimento em primeira mão
o inefável,
o indelével,
o inexplicável,
certeza na primeira pessoa
Eu gosto de você assim,
de graça
Não é porque você gosta do Chico,
do Almodóvar ou do Quintana
Nem porque sua cor favorita é lilás,
ou porque também quer ir pra Londres,
e fazer o sol nascer toda manhã
Não é pelo seu senso de humor
negro,
nem por sua alma
furta-cor
Nem por tudo que você diz saber,
nem pelo que não entende sobre
amor
Foi por tudo isso que eu fiquei,
mas nada disso me trouxe aqui.
Gosto desde antes,
talvez, de sempre.
Não preciso de A+B
Para provar o que sinto
Pode ser intuição,
pode ser instinto
(de sobrevivência ou destruição)
Tanto faz.
A rosa ainda seria uma rosa,
mesmo que se chamasse
Garibaldo.
Eu não seria mais eu
se não tivesse você
ao meu lado.
_____________________________
Qualia [singular: quale, em latim e português]. Termo filosófico que define as qualidades subjectivas das experiências mentais. Por exemplo, a vermelhidão do vermelho, ou o doloroso da dor. (tem mais aqui)
o que a gente sabe, sem explicação
Mas estamos sempre em busca de conceitos,
lógica, definições, porquês, razão
Pra quê tudo isso?
Sentir é mais difícil do que explicar
não se aprende em livros
Motivos são fáceis de inventar:
basta um pouco de imaginação,
bom senso e boa vontade
Sentidos
Sentir
sem sentido
Fé
Qualia
conhecimento em primeira mão
o inefável,
o indelével,
o inexplicável,
certeza na primeira pessoa
Eu gosto de você assim,
de graça
Não é porque você gosta do Chico,
do Almodóvar ou do Quintana
Nem porque sua cor favorita é lilás,
ou porque também quer ir pra Londres,
e fazer o sol nascer toda manhã
Não é pelo seu senso de humor
negro,
nem por sua alma
furta-cor
Nem por tudo que você diz saber,
nem pelo que não entende sobre
amor
Foi por tudo isso que eu fiquei,
mas nada disso me trouxe aqui.
Gosto desde antes,
talvez, de sempre.
Não preciso de A+B
Para provar o que sinto
Pode ser intuição,
pode ser instinto
(de sobrevivência ou destruição)
Tanto faz.
A rosa ainda seria uma rosa,
mesmo que se chamasse
Garibaldo.
Eu não seria mais eu
se não tivesse você
ao meu lado.
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Qualia [singular: quale, em latim e português]. Termo filosófico que define as qualidades subjectivas das experiências mentais. Por exemplo, a vermelhidão do vermelho, ou o doloroso da dor. (tem mais aqui)
quinta-feira, 12 de julho de 2007
romantismo de uma cética
Rio de Janeiro, 3 de novembro de 2002.
Querido espelho (já explico),
Havia uma tormenta em minha mente, então decidi escrever para me aliviar um pouco das idéias que me perseguiam. Como você bem sabe, acredito que as idéias e os pensamentos só tomam forma e podem ser melhor analisados ao ganhar o mundo. Por isso, trago-lhe meus pensamentos, para que você me ajude a analisá-los e desvendá-los. Ninguém melhor do que você para ajudar-me nessa árdua tarefa…
Havia uma tormenta em minha mente, então decidi escrever para me aliviar um pouco das idéias que me perseguiam. Como você bem sabe, acredito que as idéias e os pensamentos só tomam forma e podem ser melhor analisados ao ganhar o mundo. Por isso, trago-lhe meus pensamentos, para que você me ajude a analisá-los e desvendá-los. Ninguém melhor do que você para ajudar-me nessa árdua tarefa…
Então… depois desse primeiro parágrafo explicando o porquê de tão inusitada carta, posso, enfim, ir ao assunto que nos trouxe aqui: eu pensava em você. Ou melhor, em mim. Ou, mais exatamente, no amor. Calma que tudo é justificável.
Antes de lhe conhecer, não acreditava no amor. E talvez ainda não acredite. Bem, certamente não acredito no amor da forma em que ele é exposto na mídia. Não acredito na impossibilidade de uma pessoa viver sem a outra. Mas acredito sim que uma pessoa não queira viver sem a outra. Esse é o meu caso. Pelo menos por enquanto (Não acredito no perpétuo, mas adoraria que você me provasse errada).
Drummond escreveu: “o que pode uma criatura senão, entre outras criaturas, amar?”. Agora começo a entendê-lo. E começo a entendê-lo não porque amo (pois nem sei se amo), mas porque fiquei pensando nos mecanismos dos quais o coração se utiliza para escolher a quem amar. Renato Russo cantou “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”. Com todo o respeito, não acredito na aleatoriedade do coração. Acho que, se gostamos, gostamos por um motivo, e se amamos, amamos por um motivo ainda melhor.
Prometo que esta será minha última citação, e, como não poderia deixar de ser, de um dos nossos poetas favoritos, Mário Quintana. “O amor é um beijo no espelho…”. Essa pequena frase norteou todo o meu pensamento. Escolhemos para amar àquele que mais se parece conosco: amamos quem tem em si o que gostamos em nós, ou o que gostaríamos de ter. Amar é enxergar-se no outro. Você é assim. É o que eu sou e o que eu gostaria de ser. É meu espelho.
Sei que havia prometido, mas outra (e agora sim última) citação se faz necessária… (nada como subverter minhas próprias regras) “Amar é admirar com o coração. Admirar é amar com o cérebro” (Theophile Gautier).
Perdoe-me se não pareço tão romântica, se a minha visão de amor é um tanto narcisista e egoísta, mas cada um é romântico a seu jeito. Eu sou ao meu. Talvez ao nosso.
Com amor e admiração,
LM
quarta-feira, 11 de julho de 2007
lembrança que brilha na mente eterna
sou cheia de incertezas absolutas
e de mistérios transparentes
acompanhada por uma ausência incômoda
presente no passado
e
imperfeita no futuro
presa em repetições da memória falha
esqueço das mágoas
e me surpreendo várias vezes com a mesma coisa
prevendo lembranças que brilhem
eternamente
e que nunca mintam
persisto, insisto
desisto
um dia a gente aprende
e eu acerto
e de mistérios transparentes
acompanhada por uma ausência incômoda
presente no passado
e
imperfeita no futuro
presa em repetições da memória falha
esqueço das mágoas
e me surpreendo várias vezes com a mesma coisa
prevendo lembranças que brilhem
eternamente
e que nunca mintam
persisto, insisto
desisto
um dia a gente aprende
e eu acerto
terça-feira, 10 de julho de 2007
breves
..::..
Desperto
Disparo
De perto
Destroços
..:::..
alguma coisa
aqui dentro
me consome
mas depois
que passsa
o tempo
some
..::..
Desperto
Disparo
De perto
Destroços
..:::..
alguma coisa
aqui dentro
me consome
mas depois
que passsa
o tempo
some
..::..
segunda-feira, 9 de julho de 2007
rabo do gato
Ele todo era como o rabo do gato: cada parte de seu corpo tinha vida própria. Enquanto falava com uma velocidade absurda, atropelando palavras e até frases inteiras na correria da boca para tentar acompanhar os pensamentos, seus olhos existiam em câmera lenta. A boca dançava um tango alucinado, e os olhos, uma valsa das antigas. Piscava como quem está prestes a dormir, em câmera lenta, mesmo durante as maratonas verbais. Seus gestos dificilmente acompanhavam a verborragia, enquanto seus pés se moviam insistentemente, ainda que continuasse parado. Era uma contradição em si, membro a membro, cada sentido em uma sintonia, todo descompensado. Mas tinha ótimo coração.
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