sábado, 28 de julho de 2007

Insônia

Mais uma noite
não sei se vou agüentar
Estou cansada,
não tenho sono,
o tempo custa a passar

Faz muito frio
deito com sua ausência,
abraço o travesseiro,
vejo você,
em meio ao silêncio,

meu pulsar frenético
se confunde com uma canção de ninar
sussurrada por sua voz monocórdica
que me embala os sentidos

a distância transforma o passado
em reticências...
mas a vontade o aviva
com cores de Andy Wahrol
vontade de rever
reviver
voltar
revirar
revoltar

a saudade me aquece
no que a memória falha,
o corpo não esquece
velejando entre sonho e lembrança,
sinto sua barba macia,
suas mãos lenientes,
seu cheiro de sabonete barato

você está em seu lugar,
ao meu lado, a minha volta,
envolto
em meus braços

Sem aviso, as luzes da manhã
invadem o quarto
me despertam de um estado hipnótico
e roubam você de mim
tento ignorar,
me concentro,
não quero que você vá
(ainda não...)
só mais um pouco...

mas a luz é mais forte
que a minha escuridão

Mais uma vez o tempo me ultrapassa
me ultraja
e vence

olho ao redor,
procuro por você
não há ninguém além do silêncio

(agora tenho que enfrentar mais um dia,
e mais uma noite,
e não sei se vou agüentar...)

4 comentários:

Tiago disse...

agora assim acho que estamos no caminho de fazer livros....

Tiago disse...

acho que o marcador deveria ser poesia pretencioooooooosa.

Tiago disse...

e digo mais...
depois.

Fernanda disse...

Poderia se escrever uma enciclopédia só de poesias sobra a saudade.
POr poesias definiríamos o que só a língua portuguesa tem.