segunda-feira, 9 de julho de 2007

rabo do gato

Ele todo era como o rabo do gato: cada parte de seu corpo tinha vida própria. Enquanto falava com uma velocidade absurda, atropelando palavras e até frases inteiras na correria da boca para tentar acompanhar os pensamentos, seus olhos existiam em câmera lenta. A boca dançava um tango alucinado, e os olhos, uma valsa das antigas. Piscava como quem está prestes a dormir, em câmera lenta, mesmo durante as maratonas verbais. Seus gestos dificilmente acompanhavam a verborragia, enquanto seus pés se moviam insistentemente, ainda que continuasse parado. Era uma contradição em si, membro a membro, cada sentido em uma sintonia, todo descompensado. Mas tinha ótimo coração.

2 comentários:

Anônimo disse...

Vc está ficando densa demais... ou será que eu estou de menos??

Nick

Fabíola Scully disse...

Amei a velocidade de crônica.
Beijinhos.

Ah, eu juro que pensei que o endereço antigo ia redirecionar :~

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E, não mais importante. Olha sua importância post novo do Quintana.