terça-feira, 2 de outubro de 2007

Des-

percorro descaminhos,
desconstruo idéias,
conforto-me no desconsolo.

desfaleço procurando,
desencontro-me.
uma vida desfeita em certezas.

descabelada,
desavisada,
desmotivada.

desfocadas, minhas lentes
mostram apenas o deserto.

destôo da palheta de cores,
não faço por desmerecer.
sou um amontoado de ilusões
desmontadas

desperto meu cinismo,
despeço-me do romantismo...
(despreocupe-se, después ele volta.
não há desalmado capaz
de desterra-lo para sempre!)

destemida, caço tigres,
desarmo bombas,
desvendo mistérios
e vendo tudo por aí,
despercebida...

aí eu me desminto:
minha vida é metafórica.
e desaforada.

4 comentários:

kakazinha disse...

adorei esse poema. tenho um parecido, com idéias absudas que coloco em prática! absurdas ou não, certo? :o)

sobre seu comentário no meu blog (sobre o silêncio), vi na tv faz pouco tempo uma filósofa falando sobre o silêncio e as palavras, sobre como as palavras nos limitam o não-dizer e o não-pensar, pois elas vêm mastigadas para o ouvinte. e como o silêncio expande nossas opções de querer dizer as coisas... enfim, muito filosófico para um breve comentário, mas entendi o q vc quis dizer! :o)

bjs!

Adrielly disse...

"desfocadas, minhas lentes
mostram apenas o deserto."

As minhas lentes andam mostrando
coisas que eu não queria ver,
mas eu acho bom sim,
antes ela era cor de rosa e só
me mostrava o que eu queria,
agora vejo tons negros, marrons
e bejes também.


=*

Cacau disse...

Lindo poema!

Já que você comentou sobre a loucura em meu blog, leia o post "Sexta poética 36" do blog http://www.prahoje.com.br/bill/

Abraço.

(o legal dos blogs é a gente criar esse intercâmbio, essa rede)

Fernanda disse...

Sua vida é desaforada, e tuas palavras, geniais!
A construção da desconstrução vira algo totalmente novo na tua mão.
Surreal.

Boa semana, Lu!!
Bjins!